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terça-feira, 26 de outubro de 2010

MAGNÉSIO NA OSTEOPOROSE

Mal acabamos de conversar sobre o avanço da osteoporose e os fatores implicados, com ênfase no desequilíbrio dietético entre Cálcio x Magnésio e constatamos a publicação do artigo de um grupo de pesquisadores do genoma e sua competência sobre a homeostase de minerais como o magnésio, potássio e sódio.

Neste artigo citado, cujo link vai abaixo (1), os cientistas estão preocupados com as doenças envolvidas com os distúrbios do magnésio (transporte, localização e homeostase), incluindo de forma relevante a OSTEOPOROSE.

Embora muitas deficiências de magnésio sejam adquiridas (2), as concentrações séricas de magnésio mostram estar reguladas por um componente hereditário com incidência de até 30% na população (3,4). Complementando, diversas mutações monogênicas, algumas raras, têm sido identificadas interferindo na homeostase do magnésio, incluindo as síndromes de Gitelman, Bartter e outras hipomagnesemias.

Ora, considerando o que já vimos anteriormente, onde o magnésio regula a expressão do PTH e os níveis de cálcio no osso trabecular, essas mutações ou condições que predispõem à hipomagnesemia, aliadas à baixa ingestão do mineral na dieta, podem ser realmente um estopim ou gatilho da osteopenia e osteoporose. Parece que as investigações agora apontam, finalmente, para aprofundar o conhecimento sobre os verdadeiros papéis do magnésio na manutenção do tecido ósseo.

Enfim, uma luz no fim do túnel. Aumentem a ingestão do magnésio e complementem com os links!

(1) http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2916845/pdf/pgen.1001045.pdf
(2) http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/2184830
(3) http://jasn.asnjournals.org/cgi/reprint/11/10/1937
(4) http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

AVANÇO DA OSTEOPOROSE

Realmente é assustador o avanço dessa doença. Os números da National Osteoporosis Foundation dos EUA indicam 44 milhões de americanos com osteopenia ou osteroporose, com perspectivas de grande aumento para 2020.
A International Osteoporosis Foundation projeta 200 milhões agora em 2010, abrangendo os países filiados.
Ou seja, um imenso problema de saúde pública! Após décadas de tentativas frustradas de conter esse avanço, passando pela suplementação com cálcio + vitamina D, uso de hormônios como calcitonina, dos bifosfonatos (alendronato, etidronato e cia ltda) o panorama não se modificou: a osteoporose avança implacavelmente.

Óbvio que muita coisa já foi descoberta nesses tantos anos:
  • Sedentarismo predispõe uma enormidade --> exercício libera GH, IGF-1 e outros fatores que estimulam a síntese protéica da matriz óssea.
  • Menopausa agrava (mas não é a causa!) --> os estrogênios têm função estimulante sobre os osteoblastos.
  • Abuso de cafeína agrava --> aumenta a excreção de cálcio urinário.
  • Excesso de fosfatos e ácido fosfórico agrava --> fósforo compete com cálcio por absorção (refrigerantes, alimentos industrializados e enlatados podem conter)
  • Abuso de medicamentos diuréticos pode piorar --> aumenta excreção de cálcio.
  • Contaminação por alumínio piora --> a polêmica das panelas de alumínio. Há estudos que afirmam que ocorre migração de alumínio da panela para alimentos; e outros que dizem ser insignificante. O fato é que alumínio é um metal NÃO BIOLÓGICO e dotado de indiscutível toxicidade, embora bem menor do que mercúrio e chumbo, também do grupo dos metais tóxicos. O melhor mesmo é usar outro tipo de panela.
Mas, no fundo da questão, parece haver alguma coisa ainda não bem elucidada: os mecanismos de absorção e, principalmente, transporte do CÁLCIO no organismo.
Com relação à absorção, sabemos hoje que a VITAMINA D (na verdade um hormônio) tem papel fundamental para permitir a passagem do cálcio da luz intestinal para a circulação. A vitamina D estimula a liberação da proteína ligante de cálcio (calcium binding protein = CaBP) que formando um quelado de cálcio, atravessa a membrana dos enterócitos e disponibiliza cálcio na circulação. Aí começa a grande incógnita: como se dá o transporte do cálcio até a matriz óssea? Seria a mesma CaBP a proteína responsável pelo transporte do cálcio. Sim, porque na forma de íon esse transporte seria extremamente prejudicado, dado a reatividade do metal alcalino terroso com cargas elétricas negativas disponíveis numa infinidade de moléculas presente no sangue e no endotélio vascular.
Esse mecanismo de transporte do cálcio precisa ser melhor investigado, pois somente assim saberemos, de fato, porque ainda não acertamos na contenção da expansão dessa doença pelo mundo afora.
Excluindo essa questão, que acho da maior importância, é preciso levar em consideração o que Póvoa vem postulando há décadas, pelas mesmas décadas em que a farmacologia tentou solucionar em vão o problema. O eminente pesquisador brasileiro vem afirmando que o desequilíbrio nutricional do cálcio em relação ao seu primo MAGNÉSIO poderia ter, sim, uma grande importância. Parece que o magnésio tem papel importante na estabilização do cálcio na estrutura óssea, possivelmente por agir sobre a fosfatase alcalina, enzima que promove a dissolução dos complexos cálcio-proteína do osso (apatita, hidroxiapatita). O fato é que, inegavelmente, toda a suplementação nutricional proposta durante essas últimas décadas não levou em consideração a associação com MAGNÉSIO. Sempre é o CÁLCIO + VITAMINA D e, às vezes, L-LISINA, BORO e VITAMINA K.

Acho que seria da maior importância que pesquisas clínicas fossem realizadas com pacientes para quantificar os efeitos positivos de CÁLCIO + MAGNÉSIO sobre osteopenia e osteoporose. Existem vários artigos que incluem dentre as decorrências da HIPOMAGNESEMIA os distúrbios ósseos, além de hipertensão e distúrbios circulatórios.
De qualquer maneira, já há comprovação suficiente de que o MAGNÉSIO regula a atividade do PARATORMÔNIO (PTH), o gatilho da reabsorção óssea, o processo que dissolve osso e traz cálcio para a circulação.

Entretanto não podemos esquecer, de modo algum, que há registros confiáveis nos EUA sobre o déficit de cálcio na alimentação moderna (fast food), de até 25% em relação à RDA (1000 a 1500mg/dia). Ora, isso ensejaria a condição denominada BALANÇO NEGATIVO DO CÁLCIO pela primeira vez usada aqui no Brasil por Póvoa, no final dos anos 1980 e início de 1990. Na condição de menor ingestão do nutriente, certamente o sistema PTH é acionado imediatamente, em face da homeostase desse elemento (cálcio) no sangue ser vital (pulsação, contratilidade e manutenção da circulação sanguínea em todo o corpo humano).

Há publicações como "The Magnesium Factor", de Seelig & Rosanoff, que mostram a assustadora associação da má relação cálcio/magnésio com mortalidade cardiovascular. Nos países onde esta relação é de 4 partes de cálcio para apenas 1 de magnésio, a mortalidade atinge a sua plenitude. Ao contrário, nos locais onde os hábitos alimentares promovem relações próximas de 1:1 essa mortalidade é infinitamente menor.
É preciso ter muita atenção neste equilíbrio, principalmente considerando que as principais fontes de magnésio na alimentação não são carnes, cerais, leguminosas, mas sim as verduras, as quais parecem cada vez mais ausentes na alimentação.

ATENÇÃO À VITAMINA D: há algum tempo pesquisadores vêm questionando os níveis da RDA para esta vitamina (800ui/dia), considerada muito abaixo das reais necessidades. Acaba de ser publicado um artigo que fortalece essa convicção, onde o déficit de VITAMINA D foi diretamente associado com aumento da incidência de osteoporose em mulheres na menopausa. Vale pena acessar o link: http://www.scielo.br/pdf/abem/v54n2/20.pdf
Depois a gente continua essa conversa, que acho muito interessante e pertinente.

Abraços aos amigos.

Celio Mendes.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

RESTRIÇÃO CALÓRICA - 2

Como vínhamos discorrendo, a questão da obesidade mundial preocupa sobremaneira, em todos os continentes. A função metabólica de acúmulo energético nos mamíferos, e nos humanos em especial, foi forjada ao longo de cerca de 4 milhões de anos, preparando-nos para os períodos incertos de escassez alimentar. Assim, um sistema enzimático capaz de mixar várias moléculas de acetil CoA e compactá-las em ácidos graxos, os quais são por sua vez compactados em triglicerídeos, é muito eficiente. Grande parte do excedente de Acetil CoA é assim tratado, especialmente no fígado.
Como as fontes de Acetil CoA são muitas - a começar pelos carbohidratos, proteínas e as próprias gorduras - é de se explicar o estágio da obesidade no mundo, já que existe cada vez mais regularidade na disponibilidade de alimentos e uma redução avassaladora na atividade física, o mecanismo pelo qual se equilibrava no homem o saldo da lipogênese.
Quanto tempo levará para adaptação do genoma às novas condições impostas em apenas 200 anos (invenção do açúcar refinado, máquinas de transporte, telefonia, veículos e controle remoto) e se esse tempo será compatível com a viabilização de uma nova humanidade, não podemos prever, creio eu.
Mas sabemos que grandes avanços estão sendo realizados no campo das pesquisas genéticas e na chamada engenharia genética, o que muda bastante o perfil desse grande problema de saúde.
Porém a engenharia genética só poderá atuar se souber onde atuar. Nesse particular, a bioquímica vem fornecendo valiosas informações sobre o acúmulo de gordura no organismo. Diversos hormônios e peptídeos ativos vêm sendo identificados no processo metabólico de síntese, transporte e localização da gordura - leptina, adiponectina e sirtuínas estão entre os mais importantes. Entre as enzimas, a citrato liase parece ser um ponto crítico na biossíntese das gorduras. Todos esses biocomponentes serão alvo, certamente, de profundas pesquisas para conhecimento de seu comando genético e tais genes, quando desvendados, poderão sofrer alterações genéticas. Mas isso ainda é para o futuro (que seria o futuro hoje, 20, 50 anos, ou menos?!). Enfim, a impulsão do ser humano, curioso e laborioso por natureza, está levando a novas descobertas nesse campo.
Assim é que, debruçado no conhecimento que já se tem desse especial grupo de proteínas "SIRTUÍNAS" (ou sirtuins para pesquisas bibliográficas), pesquisas estão surgindo sobre como estimular sua biossíntese, pois algumas dessas famílias de proteínas podem mudar o perfil de acúmulo de gordura na célula mater, o adipócito. Segundo o que vem sendo pesquisado, certas famílias de sirtuínas (possivelmente 1, 2 ou 3) "informam" aos adipócitos que a pessoa está em jejum há algum tempo, obrigando essas células a liberar o conteúdo de gordura armazenada. Por isso o nome do inglês para essa nova teoria "Mimetics of Caloric Restriction". Restrição calórica pode se aproximar do jejum.
Ao menos uma biomolécula já mostrou que tem a propriedade de interferir na liberação das sirtuínas, através de ação sobre os genes - o RESVERATROL, um fenólico derivado do stilbeno encontrado em muitas frutas (especialmente as vermelhas ou berries = uvas, morangos, framboesas, ameixas, quiçá as pitangas?!). Estou apostando... Uma vez, brincando com o meu querido mestre Helion Póvoa, quando da explosão de pesquisas com o chá verde (Camellia sinensis), disse que possivelmente a variedade do chá sulamericano - o mate (Ilex paraguarensis) poderia conter os polifenólicos, também. Não deu outra, pesquisas iniciais já mostraram que o mate verde (chimarrão) é riquíssimo em polifenólicos, a base ativa do chá verde.
Bom, ilações à parte, vale acompanhar de perto os estudos sobre os MIMÉTICOS da RESTRIÇÃO CALÓRICA, pois seu uso, assim como de outros fitocompostos das frutas, pode trazer auxílio para combater essa pandemia da obesidade. As doses de RESVERATROL que foram citadas em algumas pesquisas, neste objetivo, são bem maiores do que as comumente usadas na prevenção de doenças cardiovasculares (em torno de 12 a 24mg/dia). Atingem 250mg duas vezes ao dia, mas estão distantes da toxicidade, aliás muito pequena, o que impossibilita a obtenção de um importante parâmetro toxicológico - a DL50 oral. Também em médio e longo prazo com animais, a base de todo estudo toxicológico, não foram evidenciados efeitos tóxicos dessa maravilhosa biomolécula, cuja ação anticancerígena está amplamente comprovada em centenas de publicações. Se alguém quiser artigos sobre isso, pode escrever para meu novo E-mail: cmendes99@gmail.com, o qual destinei para atender às consultas deste Blog, que se tornam cada vez mais numerosas. Terei prazer em enviar - espero dar conta!
Abraços a todos os amigos.
Celio Mendes.

PYCNOGENOL e NOVAS PESQUISAS

A trajetória desde a descoberta do mix de antioxidantes do Pinus francês denominado PYCNOGENOL até hoje é recheada de pesquisas super interessantes. Logo após as evidências de que o composto atua como antinflamatório, estudos mostraram que um dos mecanismos de ação é de inibição de certas inter-leucinas pró-inflamatórias, especialmente IL-6.
Inicialmente, o principal benefício do uso oral do PYCNOGENOL evidenciado foi sobre a fragilidade capilar e patologias decorrentes, como flebites e trombo-flebites. O composto também exibe atividade anti-agregante das plaquetas, comandada especialmente pelo tromboxano A-2, derivado do metabolismo do ácido araquidônico. Como todos sabem, o aumento do araquidônico pode ser facilmente obtido por dietas ricas em gorduras trans-esterificadas e gorduras da família ômega-6, quando desequilibradas em relação à família ômega-3.
Para muitos autores, inclusive, a suplementação de ômega-6 não deveria ser feita, em virtude da abundância desse tipo de gordura na dieta moderna. O problema mesmo se verifica com a família ômega-3, esta sim em franca desvantagem na dieta. São as gorduras dos alimentos do mar, especialmente peixes de águas frias. Os subprodutos do metabolismo dos ômega-3 auxiliam a combater o excesso de tromboxano A-2 e propiciam o equilíbrio no fenômeno reológico.
Bom, mas voltando ao nosso bom e antigo PYCNOGENOL, sua atividade antinflamatória nas doenças vasculares, flebites e mesmo ateroesclerose, catapultaram o PYCNOGENOL no final dos anos 1990. Só que, após forte mídia para o produto, veio, digamos assim, um certo ostracismo e esquecimento.
Eis que agora dezenas de pesquisa mostram que o composto natural é reamente muito importante para a prevenção em saúde, assim como tratamento. As doenças respiratórias alérgicas, por exemplo, como asma, têm sido contempladas com várias pesquisas utilizando o PYCNOGENOL, que mostra franca melhora dos sintomas - incluindo RINITE.
Um pesquisa especial mostra o efeito de proteção ANTI-GENOTÓXICA do PYCNOGENOL, um tema (Nutrição Genômica) que tem interessado a eminentes pesquisadores, como o Prof. Luis Fernando de Mello Campos, querido amigo.
Emfim, acho que está na hora de retomarmos o interesse sobre este composto natural riquíssimo em antioxidantes polifenólicos que é o PYCNOGENOL.
Aí vão alguns links de artigos que podem ilustrar melhor o que estamos aqui resumindo:
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20676799
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20658573
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20579863
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20549654

Abraços a todos os amigos e desculpem pelo período de ausência, justificada (falecimento de meu amigo e querido pai).
Celio Mendes.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

RESTRIÇÃO CALÓRICA e OBESIDADE (1)

A obesidade é um problema tão complexo que a ciência está debruçada sobre ela há décadas e pouco foi oferecido para seu controle, tanto na área farmacológica como na bio-genética. Adaptados que estamos há milhões de anos, somos (como os demais mamíferos!) máquinas super eficientes na transformação do excesso calórico - convergente para acetil Coenzima "A" - em cadeias graxas carbônicas longas conjugadas com glicerol.
Trocando em míudos: moléculas de acetil Coenzima "A" excedentes vão para formação dos triglicerídeos, a forma de armazenamento da gordura nos adipócitos.
Como a oferta de acetil Coenzima "A" é muito grande em nossa vida moderna, proveniente em especial dos carbohidratos refinados (sacarose, por exemplo), o resultado é o que se vê: UMA PANDEMIA OBESA, que assusta os governos e os cientistas. O índice de obesidade infantil, por exemplo, toma proporções assustadoras nos EUA, aproximando-se da casa dos 30%. Não é difícil explicar essa pandemia obesa, difícil é obter formas terapêuticas de controle.
As explicações para tanta obesidade são várias:

  • Genética: as pessoas não nascem com a mesma proporção de adipócitos. Os que nascem com maior quantidade dessas células ou as formam em grande quantidade por diferenciação de outras células, serão candidatos à obesidade com mais facilidade.
  • Metabolismo: a taxa de "queima de gordura" ou beta-oxidação dos lipídios, varia enormemente entre as pessoas. Esse processo, a beta oxidação, é um dos mais complexos do organismo, envolvendo enzimas desaturases, hidratases, lipases que preparam e realizam dezenas de passos químicos para transformar um ácido graxo de 18 carbonos em 9 moles de acetil Coenzima "A".
  • Sedentarismo: em menos de 200 anos - o que não é nada para a evolução - o ser humano reduziu sua atividade física de forma drástica. Mantendo e aumentado a ingestão calórica, criou um ciclo vicioso para acumular gordura no corpo.
  • Alimentação: também em menos de 200 anos a tecnologia passou a oferecer açúcar refinado a preços tão baixos e numa oferta avassaladora, criando uma pressão de consumo absurda nos tempos modernos. Além disso, a industrialização de massas de todos os tipos, a vitória da "fast food & pizza", além de bebidas açucaradas (refrigerantes) em larga escala consolidam esse fenômeno desastroso para a saúde.
Existem muitos outros aspectos para serem abordados nesse assunto, mais pretendo desenvolvê-los na sequência das outras matérias.
Entretanto, para despertar ou manter o interesse de vocês gostaria de começar a discutir sobre a restrição calórica. Não existem dúvidas de que a redução no consumo de calorias aumenta a longevidade e - o que é mais importante - a qualidade dessa longevidade. Isto está comprovado nos seres vivos testados, desde unicelulares (fungos) até roedores, mamíferos e mamíferos primatas. No homem também parece não haver mais dúvidas a esse respeito. As discussões sobre que níveis de redução calórica são seguros (sem afetar o funcionamento dos sistemas orgânicos) ainda estão em curso. Estima-se que as pessoas estejam ingerindo entre 3 a 4 mil kcal por dia nesta pandemia obesa. Níveis abaixo de 1.500kcal/dia no homem são considerados como restrição calórica. Entretanto idosos podem apresentar problemas imunológicas com restrições muito contundentes (<1.000kcal/dia).
Enquanto a discussão prossegue, alguns pesquisadores", meio que por acaso, descobriram que algumas substâncias encontradas nos vegetais podem SIMULAR o estado de restrição calórica, "enganando" o metabolismo e forçando o corpo a consumir a gordura acumulada, mesmo sem uma demanda fisiológica para tal, como o exercício. Esses produtos ou fitocompostos foram denominados de MIMÉTICOS DA RESTRIÇÃO CALÓRICA. Estudos efetuados com alguns deles, o principal até agora é o RESVERATROL, mostram que os animais avaliados conseguiram se livrar de boa parte da gordura acumulada. Outros como a QUERCETINA e os POLIFENÓLICOS da Camellia sinensis também estão demonstrando efeito semelhante. Alguns deles mostraram, inclusive, estimular a morte de adipócitos pela via natural, a apoptose.
Nas próximas matérias vou falar sobre o uso experimental desse produtos em humanos e as possibilidades futuras - estimulação das proteínas mensageiras sirtuins - e presentes de seu uso no controle do acúmulo da gordura corporal. Mas, sem ilusões desnecessárias, a manutenção de estados sedentários poderá colocar tudo a perder, até os mais eficientes MIMÉTICOS DA RESTRIÇÃO CALÓRICA.
Até breve!

sábado, 29 de maio de 2010

PESTICIDAS PREJUDICAM AS CRIANÇAS

Todos sabem dos malefícios dos pesticidas (ou agrotóxicos) sobre a saúde. A Organização Mundial da Saúde até criou uma classificação de risco para os grupos químicos e substâncias ativas dos pesticidas, assim como a FAO recomenda níveis de tolerância nos alimentos para seu consumo seguro e cada país determina isso em regulamentos de seus Ministérios de Agricultura.

Enfim, tudo inócuo! Em nosso país, por exemplo, pouquíssimas pesquisas se ocuparam de MONITORAR esses resíduos de pesticidas em alimentos que estavam na via final de consumo: as CEASAS ou supermercados. Lá está a verdade, o que vai ser efetivamente comido.

Mesmo assim, quando foi feito o monitoramento, SEMPRE foram encontrados níveis acima do "permitido". Eu coloquei aspas porque esses limites numéricos são bem discutíveis sob ponto de vista científico. Isto porque os testes com animais têm dificuldade de prever os resultados tóxicos para longo prazo humano - a longevidade humana sobe a cada década e ninguém quer atingir 80 anos com Alzheimer ou câncer.

UM ESTUDO RECÉM PUBLICADO prova, finalmente, com fidelidade estatística, que resíduos de pesticidas organofosforados nos alimentos - os mais usados no Mundo - causam défict de atenção, dificuldade no aprendizado e hiperatividade em CRIANÇAS. Toda aquela conversa de que esses pesticidas fosforados seriam os menos perigosos porque se degradavam rapidamente no ambiente era pura balela! Eles estão aí, no ambiente, nos alimentos e estão prejudicando os mais vulneráveis: as crianças. Com a árvore neuronal em plena expansão dos 4 aos 12 anos, nossas crianças podem ter um desenvolvimento intelectual abaixo de suas reais possibilidades, devido à irresponsabilidade dos governos. NENHUM deles até hoje no Brasil criou ou implementou um programa EFICIENTE de monitoração dos resíduos de pesticidas nos hortifruti granjeiros, incluindo demais alimentos de base como grãos e cereais.

ATÉ QUANDO IREMOS NOS ALIMENTAR COM VENENOS SEM QUE NINGUÉM FAÇA NADA. Ministério da Agricultura, Secretaria de Defesa Vegetal e ANVISA precisam cobrar do executivo recursos para investimento nos laboratórios de análise de resíduos descentralizados, que precisam ser urgentemente implementados.

Se quiser saber mais, veja a pesquisa resumida.
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20478945

Completa:
http://pediatrics.aappublications.org/cgi/reprint/peds.2009-3058v1

Saudações aos alunos e amigos!
Celio Mendes.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

ORTOMOLECULAR NO FANTÁSTICO

Não foi muito produtiva, nem elucidativa, a matéria de 21/03/2010. Mostrou a prática ilegal da medicina (2 de 3 filmados não eram médicos!). Escolheu um único médico para filmar consulta ortomolecular, cuja abordagem não se assemelha em nada a uma consulta médica ortomolecular - este médico filmado correlacionou sintomas e patologias com religião (!?), conduta sem nenhum fundamento científico.
Num universo pródigo em médicos altamente qualificados adeptos da Medicina Ortomolecular (Helion Póvoa Filho, José de Felippe Jr, Juarez Calegaro, Luis Fernando Mello Campos), só para citar alguns, foi tendenciosa a ênfase aos 3 casos distorcidos filmados. O espaço concedido ao Prof. Dr. José de Felippe Jr, por exemplo, foi ínfimo! Deixaram de ser ouvidos outros importantes médicos, como o Prof. Helion Póvoa Filho, este um eminente pesquisador brasileiro com artigos publicados no exterior, além de ter sido Professor Convidado da Universidade de Harvard, junto ao saudoso Professor Antoniades.
Da forma em que foi ao ar, a reportagem deixou em muitos a impressão de que ali se condenava a prática da Medicina Ortomolecular em si. O saldo positivo foi a fala do representante do CFM, ressaltando a importância da Medicina Ortomolecular em diversas situações médicas. Mas isso foi bem no final e com tempo desproporcional ao conteúdo total.
Transcrevo abaixo parte da carta (E-mail) de um médico e amigo enviada ao Fantástico:

"O Fantástico normalmente exibe reportagens não só de alto padrão de qualidade mas usualmente úteis para a comunidade. Esta tendência geral, entretanto, não foi seguida na produção e veiculação da matéria sobre “medicina ortomolecular” exibida no dia 21-03-10 pela Globo (http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1539131-15605,00-MEDICO+ORTOMOLECULAR+ATRIBUI+SINTOMAS+A+PROBLEMAS+ESPIRITUAIS.html).

De fato, há bons e “maus” profissionais em qualquer área de atuação do ser humano mas nunca podemos julgar toda uma categoria ou vertente do conhecimento pelo desempenho de poucos. Em Medicina, por exemplo, se alguns clínicos gerais não exercem direito sua atividade médica, seria por isto toda a Clínica Geral condenável e destarte doravante destituída de qualquer utilidade ou confiabilidade? Com certeza, não.

Por isto, atentemos para alguns aspectos da matéria do Fantástico em discussão para que muitos dos equívocos cometidos sejam desfeitos e esclarecidos, em benefício de toda a população:

• O valor das práticas ortomoleculares em Medicina é tão reconhecido pela comunidade médica que o CFM já reconhece sua aplicabilidade e adequação há mais de uma década, pelo menos desde 1998, quando foi emitida a Resolução de número 1500 do ano de 1998 (
http://www.portalmedico.org.br/resolucoes/cfm/1998/1500_1998.htm), revista e atualizada para documento mais recente, a Resolução de numero 1938 de 2010 (http://www.portalmedico.org.br/resolucoes/cfm/2010/1938_2010.htm).

• A maioria dos médicos usa diariamente princípios da ortomolecular ... por exemplo, o médico recomenda vitamina C para resfriados? Suplementos de vitaminas e minerais para cansaço? Vitamina D e Cálcio para osteoporose? Ferro para anemia? Então ele, de certa forma, usa o raciocínio e preceitos ortomoleculares, mesmo que sequer os reconheça.

• O que é ortomolecular (ou biomolecular)? O corpo humano é uma máquina completa e seu funcionamento correto permite a realização das atividades do dia-a-dia com eficácia e qualidade de vida. Quando não está em harmonia, seja por fatores internos ou externos, podem aparecer as doenças. De forma bem resumida: as práticas ortomoleculares visam neutralizar os radicais livres e suas nefastas ações por todo o corpo e mente; suplementar nutrientes que estejam faltando; remover substâncias em excesso (intoxicações) e combater elementos estranhos nas células do organismo para corrigir desvios no metabolismo e proporcionar mais saúde ao paciente.

• Por ainda não ser especialidade médica reconhecida pelo CFM, a ortomolecular no Brasil é exercida por muitos profissionais, desde terapeutas a médicos .... O ideal entretanto é que, como atua em todo o corpo e mente, somente fosse utilizada por médicos, tendo-se em vista o maior conhecimento de anatomia, fisiologia, bioquímica, clínica, patologia e várias outras áreas fundamentais ao melhor entendimento dos processos de saúde e doença... Por isso, quem deseja uma abordagem realmente ortomolecular da sua saúde deve procurar antes de mais nada um médico e preferencialmente que tenha atualização em ortomolecular.

• Os radicais livres são moléculas instáveis que podem causar danos a todas as partes do corpo, sendo seu combate um dos grandes objetivos da ortomolecular. No sangue, entre vários efeitos maléficos, prejudicam a coagulação sangüínea mas nunca podem ser vistos diretamente através de um microscópio convencional. Na análise celular in vitro (ACIV), o que se vê ao microscópio é o coágulo formado na gota de sangue analisada que, na presença de radicais livres, fica cheio de “buracos brancos”, que são os locais onde este coágulo foi inadequadamente formado ...

• O exame do fio de cabelo, também conhecido como mineralograma capilar é um dos exames utilizados pela ortomolecular, quando julgado necessário pelo médico; não é “vetado” pelo CFM e está indicado quando há forte suspeita clínica de carências ou excessos de minerais específicos. Está embasado em inúmeras evidências científicas internacionalmente aceitas e tem parte da sua aplicabilidade normatizada pela resolução 1938 de 2010 do CFM (link em epígrafe).

• Alimentar-se bem, com certeza, fornece ao corpo todos os nutrientes que ele precisa para manter a saúde e combater eventuais doenças de forma eficaz e rápida. No mundo moderno, entretanto, quem alimenta-se totalmente direito, face ao stress, poluição, intoxicação da água e alimentos, exposição a radiação solar excessiva, emissões eletromagnéticas e tantos outros fatores agressores? Por tudo isto, freqüentemente, faz-se necessária a suplementação de nutrientes (entre eles as vitaminas e minerais), com usos e quantidades específicos para cada caso.

• Todo médico deve pautar seu desempenho profissional na observância do Código de Ética Médica que, em seu artigo segundo, dispõe que: “O alvo de toda a atenção do médico é a saúde do ser humano, em benefício da qual deverá agir com o máximo de zelo e o melhor de sua capacidade profissional”. Assim sendo, cada médico é livre para, de forma responsável e ética, considerar as formas de diagnóstico e tratamento que julgar procedentes, úteis e benéficas para cada paciente sob sua responsabilidade. De qualquer forma, atribuir sinais e sintomas ao “Espiritismo” não é prática ortomolecular, sendo a Doutrina Espírita uma religião respeitável e muito seguida no Brasil e no mundo e a ortomolecular um conjunto de estratégias médicas pautadas na bioquímica do organismo. Se um profissional médico opta por estabelecer relação entre ambas as distintas áreas, espera-se que tenha embasamento razoável para fazê-lo ou está incorrendo em conduta equivocada, até mesmo imprudente, em prejuízo do seu paciente.

• Em síntese, as práticas diagnósticas e terapêuticas ortomoleculares (ou biomoleculares) são reconhecidamente científicas, úteis e eficazes pela comunidade médica internacional e pelo Conselho Federal de Medicina (vide resoluções afins) do Brasil. Devem ser executadas idealmente apenas por médicos com treinamento adequado e quando bem utilizadas trazem benefícios reais, rápidos e duradouros para a saúde e qualidade de vida dos pacientes tratados.

Dr. Ícaro Alves Alcântara
Médico
www.icaro.med.br

Abraços as amigos e ex-alunos.
Celio Mendes