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domingo, 19 de janeiro de 2014

Lactobacillus reuteri: o mais eficiente probiótico.

A denominação "probióticos" foi criada para se referir aos microrganismos simbióticos - os micróbios amigos - que habitam nosso organismo aos trilhões.
No trato gastrintestinal bilhões convivem na boca e intestinos, alguns conseguem viver na estômago. Um mal micróbio (patogênico) vem vivendo neste ácido órgão há muito tempo, e sua descoberta gerou um Prêmio Nobel de Medicina: o Helicobacter pylori, que foi associado com úlceras e gastrite crônica.

Barry J. MarshallJ. Robin Warren


Barry J. Marshal               J. Robin Warren

Ganhadores do Prêmio Nobel de Medicina em 2005.


Helicobacter pylori


O Lactobacillus reuteri demonstrou ser capaz de aderir à mucosa e competir eficientemente com H. pylori, o que traz grande esperança de controlar essa infecção crônica. Já são vários trabalhos publicados mostrando sua eficiência (um deles está nos links abaixo).
O outro link mostra uma descoberta super-recente e importante para nós: L. reuteri tem capacidade de fixação nas mucosa gastrintestinal através da ligação com carbohidratos das mucoproteínas. 
Isso é uma descoberta muito importante porque complementa as explicações sobre a potência do L. reuteri em colonizar nosso aparelho gastrintestinal e competir com outras bactérias (muitas delas oportunistas para provocar infecções). Até agora sabíamos apenas dos potentes antibióticos naturais produzidos por L. reuteri (reuterina, reutericiclina, reutericina) que exterminam as outras bactérias (gram negativas, anaeróbias), mas preservando outros lactobacillus (probióticos).
Por isso me apressei em compartilhar com vocês essas informações.
Em 27 de março próximo estará ocorrendo o "I CONGRESSO BRASILEIRO DE DOENÇAS FUNCIONAIS DO APARELHO DIGESTIVO", em Pernambuco. Pelo programa vemos muitos temas ligados à importância da microbiota em várias doenças, entre elas doenças inflamatórias e obesidade.

Saudações.

www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3871281/pdf/10.1177_1756283X13503514.pdf
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3877078/pdf/pone.0083703.pdf

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

FLORA INTESTINAL e OBESIDADE

Finalmente a medicina começa a se debruçar sobre os papéis da flora intestinal no metabolismo do organismo. A publicação de "O CÉREBRO DESCONHECIDO", onde o autor - Prof. Helion Póvoa Filho - descreve diversas ações muito importantes do intestino, além de absorção e excreção, captou esse momento especial quando se começa a perceber a relação desse órgão com homeostase, regulação endócrina, eficiência imunológica e manutenção neurotransmissora. O mesmo autor, há anos, vinha propondo uma relação especial da permeabilidade intestinal com obesidade, que não foi, na época, considerada mais profundamente.
Agora, dezenas de artigos publicados, mostram que o papel da flora intestinal na obesidade é bem mais importante do que se imaginava. Aliás, do que não se imaginava. Artigos da Nature mostraram que uma microbiota mais pobre em espécies é compatível com acúmulo de peso. Por outro lado, diferentes pesquisas mostram que algumas das centenas de espécies que constituem os bilhões de bactérias e fungos que habitam o intestino humano podem gerar uma reabsorção não esperada de amido e açúcar no cólon. Isso é quase uma bomba, já que durante décadas não se supunha que além do intestino delgado (jejuno, duodeno e íleo) pudesse ocorrer absorção de nutrientes.
As bactérias metanógenas (produtoras de metano) e outras produtoras de hidrogênio (H2) podem interagir e aumentar consideravelmente a absorção de açúcar, inclusive conseguindo digerir polissacarídeos não digeríveis pelo nosso trato gastrintestinal. Um exemplo: as glucanas, que normalmente não produzem glicose nos humanos.
Methanobrevibacter smithii e Bacillus tethaiotaomicron aumentam sobremaneira a absorção de açúcares calóricos pelo organismo humano, levando a uma maior tendência de acúmulo de peso. Floras intestinais desequilibradas, com predomínio dessas bactérias podem estar relacionadas com obesidade.
Uma família bacteriana denominada Prevotella também mostra relação com aumento de peso em humanos. Outras bactérias do gênero Archae também podem estar associadas com obesidade.
Enfim, após décadas de estagnação, o interesse pela flora intestinal está aumentando vertiginosamente. Afinal, dos bilhões ou quase trilhão de bactérias intestinais apenas um pequeno grupo - lactobacilos - mereceu interesse médico nos últimos 50 anos. Essas bactérias simbióticas sempre demonstraram ser benéficas ao hospedeiro, por isso passaram a ser chamadas de PROBIÓTICOS. São muitas espécies conhecidas, L. acidophilus, L. rhamnosus, L. bulgaricus, L.  delbruekii, L. casei e muitas outras. Entretanto, uma espécie de Lactobacillus descoberta em 1980 no leite humano está mostrando nas pesquisas poderes surpreendentes.
Trata-se do Lactobacillus reuteri, o mais poderoso probiótico até agora investigado. Produzindo substâncias que eliminam a concorrência de outras bactérias (as nocivas), tais como reuterina, reutericlina e reutericina, L. reuteri simplesmente arrasa com as demais bactérias.
Um dos mais surpreendentes estudos acaba de ser publicado, tendo avaliado a capacidade de L. reuteri em eliminar o temível Helicobacter pylori. Foram estudados 100 portadores do H. pylori e os resultados mostraram que o probiótico foi capaz de erradicar o causador da gastrite e úlcera estomacal na maioria dos portadores testados.
Em outro campo de estudos, L. reuteri reduziu o ganho de peso em animais testados (camundongos), de forma impressionante. Mesmo quando os animais foram submetidos a dietas fortemente calóricas (fast food). Em se confirmando esses resultados em humanos, um gigantesco passo será dado em mais uma forma de combater a obesidade no mundo.
L. reuteri já está sendo oferecido em suplementos de probióticos nos EUA. No Brasil, foi pioneiramente oferecido por Avena farmacêutica, um laboratório de manipulação farmacêutica (www.avenanet.com.br).
Abaixo os links de dois artigos importantes sobre esta matéria.



Saudações aos alunos e ex-alunos.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

DIABETES: pior do que ele são suas complicações!


Os dados divulgados nesta semana pelo Ministério da Saúde indicam que cerca de 54 mil brasileiros morreram em 2010 por consequência direta do diabetes. Outras 68,5 mil pessoas falecerem de outras doenças, entretanto, tendo o diabetes como comorbidade, ou seja, um fator agravante de outras doenças como câncer e doenças cardiovasculares. Os números totais dão aproximadamente uma mortalidade de 123 mil pessoas diabéticas, muito mais que acidentes com veículos automotores (42 mil) e portadores de HIV (12 mil).
Ainda segundo o MS, 470 mil diabéticos morreram entre 2000 e 2010!
Conclusão: é urgente que se implemente campanhas mais significativas para controle dessa silenciosa doença. E o controle, no diabetes, É TUDO! O paciente pode ter uma vida com qualidade mediante o acompanhamento médico. Principalmente porque, as conseqüências fisiopatológicas do diabetes são múltiplas, abrangendo os sistema vascular e neurológico, o que torna sua incidência muito perigosa.
É preciso lembrar, como sempre disse o Prof. Helion Póvoa Filho, que no diabético o acúmulo de glicose extra-celular é uma fonte rica para a formação de radicais livres e subprodutos tóxicos da glicose, como os "Amadori Products" (tetroses, cetonas e aldeídos) que alteram as proteínas através do nefasto processo cientificamente conhecido como glicação das proteínas. 
Felizmente a medicina e a ciência acordaram para esse capítulo importante na patologia do diabetes há alguns anos, introduzindo no grupo de exames laboratoriais o parâmetro da hemoglobina glicada ou glicosilada (HbA1C). Esse fator pode indicar o nível de comprometimento interno pelo aumento do açúcar nos indivíduos diabéticos - quanto maior o índice de hemoglobina glicada maior o risco do paciente desenvolver complicações vasculares e alterações neurológicas. Valores acima de 7% indicam riscos iminentes do doente desenvolver complicações mais graves, principalmente se não forem controlados e perdurarem por longos períodos.
Por isso é que se diz que, para o diabético, o momento mais importante é o DIAGNÓSTICO. Uma vez constatado e quanto mais cedo, tudo pode se encaminhar bem com o controle.
Os fatores de complicação do diabetes II (aquele que surge após 50 ou 60 anos) são tão importantes que várias pesquisas médicas têm se ocupado de procurar atenuá-los, especialmente a necrose microvascular e vascular e as neuropatias, tão incômodas com a dormência, dores e perda de acuidade motora. Diabéticos são, também, mais susceptíveis de desenvolver cataratas precocemente.
Um aspecto muito importante no diabético é o controle do chamado "estresse oxidativo", através do aumento na ingestão de antioxidantes. Por isso a dieta do diabético, além da óbvia redução de açúcar e carboidratos, deve incluir porções generosas de verduras, legumes e frutas. Estas últimas já foram temas de preocupação acerca da propriedade de seu consumo em diabéticos, mas o açúcar predominante nelas - a frutose - é bem menos prejudicial ao metabolismo do diabético, embora abusos também não sejam recomendados. De qualquer forma, é bom lembrar que nas frutas (além de legumes e verduras) estão importantíssimos oxidantes: 
  • Ácido Áscórbico + Hesperidina + Quercetina = COMPLEXO "C"
  • Betacaroteno + Luteína + Licopeno + ZeaXantina = CAROTENÓIDES
  • Ácido Lipóico + Capsaicina + Piperina = ANTIOXIDANTES BISSOLÚVEIS
  • Tocoferóis + Tocotrienóis = COMPLEXO "E"
  • Tiamina + Biotina = Complexo B
  • Zinco + Vanádio + Cromo = MINERAIS INSULINÉRGICOS
Esses nutrientes, quando ajustados adequadamente ao diabético, lhe proporcionam uma compensação excelente. O ácido lipóico, por exemplo, já é aceito internacionalmente como uma das mais importantes armas contra a neuropatia diabética, após as pesquisas pioneiras de Dan Ziegler. Hoje, mais de 20 anos após as pesquisas iniciais deste cientista alemão, vários outros grupos confirmaram a eficiência do ácido alfa-lipóico para evitar as complicações do diabético, especialmente a neuropatia.
Outras pesquisas mostram como é importante, também, melhorar o desempenho das transketolases, enzimas que ajudam na transformação dos resíduos do açúcar (trioses, tetroses) em succinato, substrato que pode acessar o ciclo de Krebs (um ciclo celular que acumula elétrons para gerar energia na CRM), diminuindo o risco das complicações do diabetes. Neste contexto, uma forma especialmente desenvolvida da VITAMINA B1 - a BENFOTIAMINA - demonstrou ser muito mais eficiente do que a forma original, pela via oral.
Assim, poderíamos dizer que o complexo B-1 (Tiamina + Benfotiamina + Ácido Lipóico) é um dos mais importantes de ser administrado ao diabético.

Médicos e Nutricionistas, se desejarem mais informações a respeito, inclusive os níveis posológicos e artigos de referência, podem contatar os e-mails:
  • cmafilho@terra.com.br; 
  • cmendes99@gmail.com.
Demais leitores, inclusive portadores do diabetes, se quiserem saber mais a respeito também podem contatar também.

Abraços a todos, em especial ex-alunos!


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

18 DE OUTUBRO, DIA DO MÉDICO!

Hoje se comemora o "DIA DO MÉDICO", e como sabemos, sem médico não há saúde. Portanto, inspirado num grande amigo cuja vida é uma dedicação à pesquisa e a medicina, Professor Helion Póvoa Filho, captei no ar um texto um tanto poético, que faço questão de postar aqui. Parabéns aos inúmeros amigos médicos, todos vocês são homenageados neste texto, também os ex-alunos e, especialmente meu filho Marcos que estará se formando agora no fim do ano!

UM SER MÉDICO
De um médico se espera tanto,
Que seja deus, ou mesmo um anjo,
Que se apresente assim ... um santo!
Ao médico se exige cura, e se não cura
Vem a crítica, a falácia, a censura,
Querem sempre atendimento,
Pronto entendimento,
Porque a dor que os assola
É sempre única, e os imola,
Não é a dor de alguém que passa,
Ou mesmo a do vizinho,
É nossa e só nossa, a dor mais importante,
Pois que venha logo o MÉDICO,
E toda a sua mágica, viva, relevante,
Do médico se cobra cada vez mais tempo,
Na consulta ou no evento,
Desconhecendo que o tempo,
Ah! esse bem tão precioso,
Artigo escasso e luxuoso,
Não o tem ele um minuto ... ocioso,
Ao médico se impõe curar, nas salas operar,
Não obstante tudo insurge a seu ofício obstar,
Falta a linha, o instrumento, o remédio, o linimento,
Falta apoio, falta água, falta o que não se imagina,
Mas há aqueles que são médicos e não aceitam essa sina,
Abdicam da própria vida em consultórios e plantões de adrenalina,
Para esses um dia só é muito pouco a celebrar,
Para eles, para os raros, que medicam e conjugam o verbo ‘amar’
Que lutam céleres contra a morte e não escondem os seus prantos,
Que acordam Humanos,
Caminham Anjos,
E tarde da noite dormem ... SANTOS!

terça-feira, 14 de agosto de 2012

CONVIVENDO COM ESTRANHOS

Vovó, na saída para escola, recomendava: não falar com estranhos!
O que é estranho - pessoa, objeto, literatura, moda, etc... - sempre causou preocupação à sociedade. O que diria minha vó (ou dirá...) após a leitura desse artigo, onde falarei apenas um pouco, mas o suficiente para preocupar-nos sobre os ESTRANHOS EM NOSSO CORPO.
São tantas e de tantos os tipos as substâncias químicas que participam de nossa vida moderna que fica difícil até decidir por onde começar. Começo então pelo COPO. E pelo PRATO. E por tudo mais que usamos na cozinha, como recipientes. As PANELAS merecem atenção à parte, por causa do alumínio.
Mas, sobre os demais utensílios, gostaria de relembrar que em tão pouco tempo vimos a substituição quase que integral do uso de sabão por DETERGENTES sintéticos. O imenso grupo dos detergentes abriga uma classe - os tensoativos aniônicos - cuja origem é o petróleo,  enquanto fornecedor de hidrocarbonetos alquílicos e do benzeno. O mais usado é o ALQUILBENZENO SULFONATO DE SÓDIO (LAB), um produto assim sorrateiramente aprovado como inócuo lá nos anos 1960, já que não causa intoxicação aguda. Passados tantos anos desde então, a polêmica só faz crescer: o ALQUIBENZENO SULFONATO DE SÓDIO já é considerado o MAIOR POLUIDOR das águas fluviais e atingindo os mananciais. Para se ter uma ideia, os principais organismos mundiais de controle ambiental consideram a ausência ou menores teores do LAB (como é chamado, depois explico) a principal indicação de potabilidade da água, do ponto de vista químico.
Sua presença já foi detectada nos locais mais distantes e, na medida em que sua concentração é maior (acima de 0,1 parte por milhão), especialmente nas grandes cidades, a qualidade da água diminui muito.
Polêmicas à parte sobre seu potencial tóxico, o LAB definitiva e incontestavelmente AUMENTA A AGLOMERAÇÃO DE PARTÍCULAS TÓXICAS NA ÁGUA. Isso é um aspecto por demais importante quando falamos de água aqui no Brasil, onde os despejos industriais são muito pouco controlados, e os cidadãos das metrópoles pagam o alto preço por isso, ingerindo água sem a devida informação sobre os resíduos de metais pesados, do próprio LAB e sobre centenas de poluentes que acompanham os rios em sua captação para servir a população (clorocarbonados, alquenos, ácidos).
Bom, sobre o LAB prometi explicar o nome: é o LINEAR ALQUILBENZENO, que veio substituir um outro ainda pior, o ABS (alquil benzeno sulfonato ramificado). Este, o ABS, era o tal NÃO BIODEGRADÁVEL e, a partir de Decreto Federal (79094/77) ficou proibido para uso no Brasil, o que perdurou até o início dos anos 1980. Somente após é que o Brasil passou a usar o LAB, o biodegradável. Entretanto, a par de ser degradado por bactérias do ambiente, nunca ficou bem claro os subprodutos dessa degradação, ou se derivados tóxicos ou cancerígenos como o próprio benzeno presente na molécula, podem vir a surgir nessa degradação. E o pior, os estudos de toxicidade em longo prazo para o LAB são muito escassos e insuficientes: aqueles estudos onde animais são submetidos à ingestão de percentuais do produto na alimentação durante toda a sua vida, ou sua meia-vida. Isto devia incluir roedores, não roedores e primatas. Nada disso foi feito com o LAB e nós ingerimos quantidades ainda não definidas do produto!?
Vai depender da maneira como você LAVA os copos. E depois como ENXÁGUA os copos, os PRATOS, TALHERES, PANELAS . . . Sim, os resíduos de LAB num copo mal enxaguado podem superar tranquilamente os 0,1ppm considerados seguros.
Aí faço uma pergunta: você enxágua seus próprios copos? Em caso contrário, você sabe como são enxaguados e lavados os objetos que você usa para beber e se alimenta? Você tinha noção sobre o risco que corre diariamente?
Provavelmente não, porque tudo que não causa danos imediatos à saúde vem sendo negligenciado há anos pelo progresso e pela tecnologia. Veja como exemplo a polêmica dos celulares, que mereceu este ano um comunicado da OMS e ONU, onde consideraram aqueles especialistas não haver provas de que o uso do produto cause ou induza ao câncer. Só que ao final das considerações, incluíram uma recomendação: não é aconselhável seu uso por crianças! Caramba, que finalização mais tétrica!
Mas voltando à ingestão de resíduos de detergentes (LAB), é claro que isso não é nada tranquilizante. A troca da molécula não biodegradável pode ter nos oferecido um produto menos crítico para o ambiente, mas potencialmente mais perigoso se houver liberação de hidrocarbonetos tóxicos em sua biodegradação. O que podemos fazer? USAR SABÃO. Estes são obtidos pela conjugação de óleos naturais (coco, soja, milho) com hidróxido de sódio, levando a moléculas totalmente biodegradáveis e - o melhor - sem BENZENO em sua estrutura. Use sabão para lavar louças, panelas e até os alimentos. Use também na lavagem de roupas, pois existem sabões para uso em máquina de lavar também. Deixe que a indústria do detergente ataque dizendo que 1 tonelada de sabão consome mais energia para a produção... O que está em jogo é o FUTURO de sua SAÚDE.
Mudando o foco, é bom falarmos um pouco das crianças e do que elas gostam de beber ou comer. Aqui também os ESTRANHOS (tecnicamente chamados 'XENOBIÓTICOS') deitam e rolam. Nos refrigerantes, começamos pelos CORANTES artificiais que predominam! É bom lembrar que corantes LARANJAS ou VIOLÁCEOS podem conter grupos químicos cancerígenos (DIAZO N=N) com nitrogênio duplo. Seria bom evitar... Mas olha que são esses que as crianças preferem. Nos produtos tipo guaraná, convém ter cuidado com AMARELO de TARTRAZINA que pode causar alergias. Os menos perigosos são os incolores, tipo soda limonada e similares; mesmo assim a presença de ácido fosfórico pode levar a um excesso de fósforo na dieta e prejudicar a fixação do cálcio nos ossos. O ideal mesmo é beber sucos naturais de frutas ...  Mas ainda temos que considerar a presença de AGROTÓXICOS...
Bom esse é um capítulo importante no estudo dos ESTRANHOS ou XENOBIÓTICOS porque, em nosso país, o consumo deles é altíssimo. Estamos entre os 6 maiores consumidores de AGROTÓXICOS no mundo. O grande problema, como sempre falaram pesquisadores no Brasil (José Lutzenberger, Afonso Infurna Jr, Waldemar Ferrreira de Almeida, Ciro Pregnolatto), é a FALTA DE CONTROLE sobre o uso desses produtos na agricultura. Aliás, sempre que no Brasil se realizou programas, mesmo que pequenos, para análise dos resíduos dos agrotóxicos em cereais, frutas e legumes, eles estavam acima do permitido. E o pior é que os tais limites de segurança são altamente passíveis de questionamento, especialmente considerando que aqui no Brasil pouco se respeita o INTERVALO DE SEGURANÇA entre a última aplicação e colheita do alimento!!!
Precisamos ressaltar que muitos destes agrotóxicos possuem atividade cancerígena ou mutagênica em animais testados. Por isso há hoje uma forte tendência à busca dos chamados alimentos 'orgânicos', cultivados sem uso de agrotóxicos. Entretanto, é preciso checar as suas verdadeiras origens, para não sermos ludibriados novamente (We won't get fooled again - The Who). Uma das características dos vegetais 'orgânicos' é seu tamanho não muito avantajado e a presença de algumas imperfeições externas, alguns 'olhos pretos', que mostram a presença de fungos não patogênicos dos vegetais que não teriam se desenvolvido nos alimentos muito tratados com agrotóxicos, incluindo fungicidas vegetais.
O assunto dos agrotóxicos é tão grave que o governo deveria implementar um programa ROTINEIRO de análise de resíduos a partir dos alimentos que chegam às CEASAS e outros centros de distribuição. Só assim teríamos noção do que estamos ingerindo e poderíamos forçar [pelo único poder do consumidor: não consumir] a melhoria das condições desses vegetais. Aliás, como já aconteceu nos EUA quando os morangos foram apontados entre as frutas mais contaminadas com agrotóxicos. Após forte boicote da população durante meses, os produtores se reuniram e trabalharam o processo de cultivo dessa fruta, apresentando 2 anos depois produtos isentos de contaminação e examinados pelo órgão governamental de lá, a EPA (Environmental Protection Agency). Quando participei do projeto 'Otimização Ergonômica da Lavoura de Cana de Açúcar' em Campos dos Goytacazes (1980) - Armando (COPPE) e Wolney onde andam vocês? - verifiquei a mais absurda contaminação por MERCÚRIO dos agrotóxicos alquilmercuriais usados como fungicidas. Além de tantas pessoas inutilizadas ainda jovens, os aplicadores, a contaminação de açúcar foi constatada. Registre-se que desse maravilhoso trabalho em equipe (COPPE, ISOP/FGV e Ministério da Saúde) finalmente obtivemos a proibição dos mercuriais no Brasil.  Anvisa ou Inmetro, enfim, algum órgão tem que patrocinar essa causa com urgência, divulgando periodicamente os resultados na mídia. É isso aí, sem informação não há solução!!!
Bom, o tema dos ESTRANHOS em NOSSO NINHO é muito amplo mesmo, mas é indispensável ainda que resumidamente, abordar outro contaminante muito sério de nosso organismo, o ALUMÍNIO, alvo de tantos estudos do nosso eminente Professor HELION PÓVOA (o filho). Não há discussão sobre a TOXICIDADE do ALUMÍNIO para o ser humano e para todos os animais já estudados. Este metal invade o osso com a maior facilidade, ali instalando-se e expulsando o cálcio. Também se aglomera no cérebro, especialmente no tecido peri-neuronal, a GLIA, causando degeneração pelo aumento das espécies ativas do oxigênio, também conhecidos como RADICAIS LIVRES. Em boa parte de sua vida de pesquisador, o Prof. Helion nos alertou para o perigo desse contaminante e provou em seus estudos que, infelizmente para nós, ele pode ser absorvido no intestino, em condições alteradas: no aumento da permeabilidade intestinal. Em milhares de exames realizados em pacientes e voluntários para a pesquisa de alumínio no corpo a proporção de resultados de acúmulo do metal é a maior entre outros fortes candidatos, como o Chumbo, Mercúrio e Cádmio. Uma das explicações mais plausíveis para essa constatação é a maciça utilização de PANELAS de ALUMÍNIO no preparo dos alimentos. É comum se verificar o fundo das panelas muito danificado e com várias 'crateras', que demonstram a migração do metal da panela para o alimento. Estudos demonstraram que a contaminação do alumínio no cérebro contribui para agravar condições como demência e mal de Alzheimer.
A lista de ESTRANHOS é extensa ainda: conservantes, poluentes atmosféricos dos automóveis (além de gasolina, o freio), hidrocarbonetos polihalogenados, poliaromáticos e por aí vai. Quem paga essa conta no organismo? O FÍGADO. Este incansável laboratório de biotransformação que não para, que tenta o tempo todo desarmar as 'bombas' moleculares que ingerimos ou respiramos. Às vezes, coitado, na tentativa de desarmar ele ativa bombas ainda mais poderosas, como é o caso da AFLATOXINA presente no amendoim com muita freqüência. Quando ingerimos amendoim com essa toxina o fígado imediatamente a transforma num subproduto ainda mais carcinogênico, um epóxido triangular intermediário. O número de estudos sobre a incidência de CIRROSE NÃO ALCOÓLICA multiplicou-se e a prova está na MEDLINE! São centenas de artigos médicos sobre essa doença que é fruto inconteste do aumento dos XENOBIÓTICOS em nosso organismo.
PROTEGER O FÍGADO é a ORDEM DO DIA!!!! Ingerir ácido folínico, silimarina, ácido lipóico, os aminoácidos BCAA (os principais defensores do fígado) junto com ARGININA + ORNITINA + CITRULINA, tudo isso ajuda a proteger nosso incansável órgão metabolizador. Mas se não reduzir álcool (jamais beber diariamente, mesmo que uma taça de vinho; nunca ingerir mais do que 75ml de álcool por evento ~ 5 chopps), enlatados, acrilamida da batata frita e abolir cigarro, pouco vai adiantar...
Bom assunto não falta para esse tema, falta mesmo é tempo (meu e de vocês, não é?) Se quiserem saber mais agora estou também no Facebook (Celio Mendes Almeida). É só perguntar que eu respondo, ok?
Abcs a todos.
Celio Mendes.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

EM BUSCA DA HOMEOSTASE BIOENERGÉTICA: OBESIDADE ou LONGEVIDADE?

A humanidade está diante do grave problema do excesso de peso e obesidade. Dados estatísticos no Brasil já relatam 8,8% de obesos e 41% acima do peso, para os homens. Para as mulheres 12,7% e 39,2%, respectivamente.
Em outras partes do mundo o perfil também é assustador, mostrando que foi rompido o equilíbrio entre a aquisição de calorias e o gasto das mesmas. A conta final é o sobrepeso, inevitavelmente.
Uma boa parte da conta vai pelo moderno sedentarismo, ainda que proliferem academias pelos bairros. Outra parte vai mesmo pela inadaptação genética para enfrentar tantas mudanças em tão pouco tempo. Em dois séculos - que não é nada para modificações no genótipo - saímos da escuridão com Edison, passamos a contar com locomoção facilitada através de Fulton, a nos comunicar via Graham Bell e mais recentemente por uma dezena de cientistas controlados por Cooper, através do celular. E por aí vai, ressaltando ainda o CONTROLE REMOTO. Que viciante engenhoca que nos deixa cada vez mais gordos!
Agora, falando sério.
O sistema metabólico dos mamíferos, e também do Homo sapiens, foi adaptado ao longo de milhões de anos para acumular toda a sobra energética. Estamos bem equipados para transformar o resíduo ACETIL CoA em lipídios e estocá-los num tecido de reserva, o tecido adiposo. Carboidratos, gorduras e proteínas dão origem a grandes quantidades de ACETIL CoA. Se o gasto energético for pequeno o resultado é mais e mais acúmulo --> obesidade.
A gordura mata e já sabemos disso, são tantos os exemplos! Recentemente o cantor e compositor Wando, querido de tantos e intérprete de uma das lindas canções brasileiras "Moça, nos deixou por complicações originárias do excesso de peso. Problemas cardiovasculares e diabetes são os principais males decorrentes da obesidade.
Muitos cientistas estão pesquisando como ocorre a "ordem" para o adipócito liberar gordura (triglicerídeos) e tranformá-la em combustível (ATP) para o corpo. Inicialmente, os triglicerídeos do tecido adiposo precisam sofrer ação de enzimas, as lípases dos adipócitos, capazes de romper a ligação entre o glicerol e os ácidos graxos. Somente ácidos graxos livres são passíveis de sofrer a beta-oxidação para fornecer energia - o que popularmente se chama "queimar gordura".
Nas pesquisas foram identificadas enzimas chamadas SIRTUÍNAS - já falei disso por aqui neste blog.
Só que agora os indicadores da importância dessas enzimas para conter a obesidade tornou-se evidente: cientistas estão proporndo que essas enzimas sejam os principais reguladores do volume de gordura nos adipócitos! Ou seja: as SIRTUÍNAS exerceriam o papel de "porteiro" nos adipócitos com a chave para abrir as comportas de gordura acumulada e encaminhar para a "queima" (beta-oxidação).
São tantos os fatores envolvidos na regulação bioenergética que dá até dor de cabeça para gravá-los: leptina, adiponectina, visfatina, klotho, FGF-21, AMPKinase, PPARs, UCPs, DsbA-L e vai por aí...
Esses os fatores - e outros mais! - intervém na liberação da gordura dos adipócitos, bem assim na diferenciação dessa células (diferenciação em adipócitos é a maneira como o organismo se "vira" para distribuir a gordura que se acumula de forma equitativa no tecido gorduroso). Já sabemos que quanto mais "cheio" o adipócito maior o risco de ocorrer a liberação de citoquinas (substâncias pró-inflamatórias) que estimulam ainda mais a retenção gordurosa e provocam inflamação neste tecido.
Voltando as SIRTUÍNAS, elas estão vinculadas ao estado "de direito" que permite a liberação das gorduras acumuladas para uso bioenergético: o jejum.
Quando ficamos em jejum, mesmo que por 12 horas, simulamos um estado muito comum nos primórdios do H. sapiens, a fase coletora. Se tinha comida pegava, se não tinha, esperava. Caçar era uma atividade complicada com a inadaptação de nosso corpo para perseguições de presas em alta velocidade. Também a compleição física nem a dentição ajudavam neste aspecto - consumir a gordura acumulada foi a solução mágica da adaptação biológica. Por esta estratégia, sobrevivemos e criamos até blogs! Assim, o sistema bioquímico-hormonal protegeu o organismo através de mecanismos complexos e muitos -mas MUITOS - fatores interligados que regulam o uso da gordura estocada.
As SIRTUÍNAS, entretanto, são as primeiras a serem detectadas aumentadas no JEJUM, um estado legítimo que exige liberação dos estoques lipídicos. São dezenas de estudos concluídos que validam essa hipótese médica. Já estou convencido de que são elas o principal fator regulador - indústrias farmacêuticas já estão desenvolvendo  "Mimetizadores das Sirtuínas", produtos que "enganam" o organismo e simulam estado que exige liberação de gordura para consumo (jejum). Produtos com siglas (SRT501, SRT1720) estão a caminho de serem lançados no mercado futuro e prometem modificar drasticamente nosso metabolismo, reduzindo o acúmulo de gordura. Seriam bem mais potentes do que os compostos naturais que exibem essa ação (vejam abaixo).
Em se confirmando isso, daríamos um grande passo para "remediar" a pandemia de obesidade, já que poderíamos mudar o foco do organismo, de carboidratos para lipídios.
Nos animais os agonistas naturais (fitocompostos) das SIRTUÍNAS foram bem nos testes, reduzindo peso violentamente, mesmo sem restrição alimentar significativa. Dentre os mais ativos estão  KAEMPFEROL  e   RESVERATROL . Este último já bem conhecido das uvas e vinho (embora esteja presente em várias frutas vermelhas), já o KAEMPFEROL é uma novidade , e o melhor: muito mais potente do que o resveratrol.
A natureza está provida dessas e outras biomoléculas fantásticas, o que foi objeto de pesquisa que estou publicando em Jornal Científico aqui do Brasil - quase todas contidas em temperos ou alimentos esquecidos ou sub-utilizados.
Dentre as principais fontes de kaempferol está a  ALCAPARRA  - mas existem outras e vocês ficarão surpresos com esses maravilhosos vegetais que ativam poderosamente as SIRTUÍNAS e contribuem para a utilização da gordura acumulada (vide link para o artigo e as tabelas de alimentos contendo kaempferol e resveratrol). Mas, melhor ainda são as descobertas de que essas enzimas estão DIRETAMENTE relacionadas com o aumento da LONGEVIDADE.
Animais de laboratório submetidos à restrição calórica (diminuição na oferta de alimento), além de expressarem claramente a ação das SIRTUÍNAS sobre a lipólise, tiveram um fantástico aumento na sobrevida. Em alguns grupos até 25%! E com boa saúde, que é, no final o que interessa.
Em humanos, os relatos do cientista japonês Miyagi sobre populações longevas de Okinawa são impressionantes, mostrando que também nos seres humanos estes resultados são realizáveis.
Vocês podem ter acesso o link (vide abaixo). No modelo padrão de publicação deu 59 páginas. Mas vale a pena ler, pois foram 6 meses de estudos que desenvolvi para mapear esses complexos mecanismos que regulam a homeostase bioenergética.

Até breve!

ATENÇÃO: devido aos inúmeros pedidos, aí vai o link para o artigo na íntegra, em primeira mão: http://clippmark.com/phd1/HOMEOSTASE_BIOENERGETICA_NOVO.pdf 

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

E VAMOS AOS COGUMELOS...

No século XIX já se relatava os efeitos benéficos dos cogumelos sobre a saúde. Na época, sob a ausência de pesquisas científicas consistentes, os efeitos eram descritos como "tonificantes", expressão mais ampla de "causador de bem estar".
A partir de 1964 começaram a ser publicados os artigos científicos relativos às pesquisas com cogumelos comestíveis - neste artigo pioneiro a espécie estudada foi Grifola umbelatta, à qual foi atribuída marcante propriedade diurética. Este cogumelo é um parente muito próximo da Grifola frondosa, o popular MAITAKE, porém a variedade G. umbelatta é bem mais difícil de ser encontrada livremente.
Efetivamente 20 anos após, estudos com MAITAKE começaram a sedimentar conclusões surpreendentes sobre a ação deste cogumelo no sistema imunológico e no bloqueio de culturas de células cancerosas. O volume de pesquisas com o gênereo Grifola está atingindo este ano 200 publicações, o que não é pouco, considerando que, na grande maioria, são pesquisas sem financiamento privado. Devido a sua cultura e hábitos alimentares, os países asiáticos são os que mais se dedicaram às pesquisas com cogumelos, especialmente Japão, China e Coréias.

Mas vamos ao que os cientistas já descobriram sobre a Grifola frondosa:
  • Em 1984 Suzuki e colegas (1) tiveram o mérito de serem pioneiros no isolamento de fração polissacarídica do MAITAKE, mostrando a ação anticancerígena evidente nas culturas de células de sarcoma - um tipo de câncer que se aloja em músculos e ossos. O artigo causou grande impacto no meio científico e estimulou dezenas de outras pesquisas sobre o mesmo assunto.
  • No ano seguinte a mesma equipe confirmou seus achados, agora in vivo (animais de laboratório), e formalizou a hipótese de que a fração polissacarídica do MAITAKE exercia ação estimuladora sobre a resposta imunológica contra o câncer.
  • Daí para frente outras equipes entraram na corrida para descoberta e consolidação das propriedades medicinais da Grifola frondosa, com diversos pesquisadores renomados no Japão: Ohno, Iino, Oikawa, Sato, Miyazaki, Yadomae, Takeyama, Adachi, Nanba, Kuroda, Hamaguchi e muitos outros.
  • Logo em 1987 Nanba, Hamaguchi e Kuroda publicavam artigo elucidando a estrutura química do principal componente da fração polissacarídea ativa: a 1,3 beta glucana. Isto após as descobertas de Ohno e colegas (2) .
  • Outros assuntos foram tema de pesquisa com a G. frondosa (por exemplo, a ação antihipertensiva), mas a predominância nestes últimos 30 anos foram as pesquisas anticâncer e sobre o efeito imunoestimulante das glucanas presentes em sua composição. Hoje, a meu ver, não restam mais dúvidas sobre os benefícios que este cogumelo pode trazer para a saúde, especialmente aumentando a nossa capacitação para a resposta imunológica.
  • Segundo diversos autores, isso ocorre devido à capacidade dos polissacarídeos (glucanas) de simular ou fingirem ser ANTÍGENOS (substâncias que exigem nossa resposta de defesa). Porém, diferentemente dos verdadeiros antígenos, as GLUCANAS não exercem nenhum efeito nocivo para nós. Para exemplificar um antígeno poderoso podemos citar a peçonha de cobras.
  • Assim, as GLUCANAS seriam um tipo de LUTADOR DE TREINOS, aquele que o competidor contrata para lutar em preparação para as verdadeiras competições. Ele luta com o competidor, mas sem o objetivo de macucá-lo ou incapacitá-lo para as lutas futuras. Dessa forma, os polissacarídeos ativam sistemas de defesa, especialmente a chamada imunidade humoral (anticorpos).
  • Tudo isso já foi bastante estudado em centenas de pesquisas que se ratificam mutuamente. O que gostaria de chamar atenção neste momento é a recém descoberta que foi realizada sobre um NOVO COMPONENTE dos cogumelos comestíveis, denominado ERGOTHIONEINE (EGTH).

  • Um artigo publicado por Keith Martin no Journal of Medical Food (3) aponta aspectos muitíssimo importantes com esse poderoso antioxidante ESTÁVEL e sulfurado (sempre o enxôfre). Os testes contra proteínas aterogênicas que provocam as doenças obstrutivas (infarto, AVC e Cia Ltda) mostraram uma surpreendente ação inibitória do EGTH, ou seja, o composto dos cogumelos inibe a expressão das proteínas que causam as doenças cardiovasculares!
  • Alguns gráficos publicados por Martin mostram uma surpreendente ação nesse sentido, superiores (incrível!) a de outros antioxidantes como vitamina E, bioflavonóides e carotenóides!

  • Para completar e tornar mais importante ainda essa descoberta, outro grupo de cientistas liderados por Yamashita (4), quase simultanemente, identificou um análogo da EGTH contendo o mineral SELÊNIO, ao qual chamaram SELENONEINE. Este seleno-composto foi identificado em peixes como o atum e está sendo apontado pelos autores da descoberta com o mais potente composto antioxidante do selênio, devido à singular estrutura cetônica e as características de bi-solubilidade, aspecto que o L-Glutathione não exibe marcantemente.
  • É lógico que essa descoberta reforça ainda mais as recomendações médicas para aumento da ingestão de pescado na dieta, mas que tal darmos asas à criatividade? E pedirmos ao gourmet um prato de peixe aos 4 cogumelos (G. umbelatta, G. frondosa, P. ostreatus e L. edodes), na ordem: grifola, maitake, shimeji e shitake.
  • Além dos alimentos, estão disponíveis extratos farmacêuticos de Grifola frondosa padronizados para uso em cápsulas. Doses de 0,5 a 1,0g duas vezes ao dia são adequadas.
  • E que venham os inimigos, exógenos ou endógenos...
  • Nota: sobre o pescado, eu só gostaria de saber porque tantas pesquisas mostram cada vez mais a presença de mercúrio em sua carne. Do jeito que está aparecendo, não pode ser só despejo industrial e contaminação. Não seria importante fazer uma prospecção de HgCl, HgCl2 e HgS em diferentes regiões e oceanos? Quem sabe não descobrimos áreas onde mercúrio pode ser jazida mesmo... Sei não, mas isso é papo para outro artigo, né?
  • Se quiser vai dando uma olhada aí (Hg) , mas já posso adiantar que não sou eu somente que anda pensando nisto não... (5) . Se quiser veja este também: (6).
Abraços aos amigos e ex-alunos!