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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

18 DE OUTUBRO, DIA DO MÉDICO!

Hoje se comemora o "DIA DO MÉDICO", e como sabemos, sem médico não há saúde. Portanto, inspirado num grande amigo cuja vida é uma dedicação à pesquisa e a medicina, Professor Helion Póvoa Filho, captei no ar um texto um tanto poético, que faço questão de postar aqui. Parabéns aos inúmeros amigos médicos, todos vocês são homenageados neste texto, também os ex-alunos e, especialmente meu filho Marcos que estará se formando agora no fim do ano!

UM SER MÉDICO
De um médico se espera tanto,
Que seja deus, ou mesmo um anjo,
Que se apresente assim ... um santo!
Ao médico se exige cura, e se não cura
Vem a crítica, a falácia, a censura,
Querem sempre atendimento,
Pronto entendimento,
Porque a dor que os assola
É sempre única, e os imola,
Não é a dor de alguém que passa,
Ou mesmo a do vizinho,
É nossa e só nossa, a dor mais importante,
Pois que venha logo o MÉDICO,
E toda a sua mágica, viva, relevante,
Do médico se cobra cada vez mais tempo,
Na consulta ou no evento,
Desconhecendo que o tempo,
Ah! esse bem tão precioso,
Artigo escasso e luxuoso,
Não o tem ele um minuto ... ocioso,
Ao médico se impõe curar, nas salas operar,
Não obstante tudo insurge a seu ofício obstar,
Falta a linha, o instrumento, o remédio, o linimento,
Falta apoio, falta água, falta o que não se imagina,
Mas há aqueles que são médicos e não aceitam essa sina,
Abdicam da própria vida em consultórios e plantões de adrenalina,
Para esses um dia só é muito pouco a celebrar,
Para eles, para os raros, que medicam e conjugam o verbo ‘amar’
Que lutam céleres contra a morte e não escondem os seus prantos,
Que acordam Humanos,
Caminham Anjos,
E tarde da noite dormem ... SANTOS!

terça-feira, 14 de agosto de 2012

CONVIVENDO COM ESTRANHOS

Vovó, na saída para escola, recomendava: não falar com estranhos!
O que é estranho - pessoa, objeto, literatura, moda, etc... - sempre causou preocupação à sociedade. O que diria minha vó (ou dirá...) após a leitura desse artigo, onde falarei apenas um pouco, mas o suficiente para preocupar-nos sobre os ESTRANHOS EM NOSSO CORPO.
São tantas e de tantos os tipos as substâncias químicas que participam de nossa vida moderna que fica difícil até decidir por onde começar. Começo então pelo COPO. E pelo PRATO. E por tudo mais que usamos na cozinha, como recipientes. As PANELAS merecem atenção à parte, por causa do alumínio.
Mas, sobre os demais utensílios, gostaria de relembrar que em tão pouco tempo vimos a substituição quase que integral do uso de sabão por DETERGENTES sintéticos. O imenso grupo dos detergentes abriga uma classe - os tensoativos aniônicos - cuja origem é o petróleo,  enquanto fornecedor de hidrocarbonetos alquílicos e do benzeno. O mais usado é o ALQUILBENZENO SULFONATO DE SÓDIO (LAB), um produto assim sorrateiramente aprovado como inócuo lá nos anos 1960, já que não causa intoxicação aguda. Passados tantos anos desde então, a polêmica só faz crescer: o ALQUIBENZENO SULFONATO DE SÓDIO já é considerado o MAIOR POLUIDOR das águas fluviais e atingindo os mananciais. Para se ter uma ideia, os principais organismos mundiais de controle ambiental consideram a ausência ou menores teores do LAB (como é chamado, depois explico) a principal indicação de potabilidade da água, do ponto de vista químico.
Sua presença já foi detectada nos locais mais distantes e, na medida em que sua concentração é maior (acima de 0,1 parte por milhão), especialmente nas grandes cidades, a qualidade da água diminui muito.
Polêmicas à parte sobre seu potencial tóxico, o LAB definitiva e incontestavelmente AUMENTA A AGLOMERAÇÃO DE PARTÍCULAS TÓXICAS NA ÁGUA. Isso é um aspecto por demais importante quando falamos de água aqui no Brasil, onde os despejos industriais são muito pouco controlados, e os cidadãos das metrópoles pagam o alto preço por isso, ingerindo água sem a devida informação sobre os resíduos de metais pesados, do próprio LAB e sobre centenas de poluentes que acompanham os rios em sua captação para servir a população (clorocarbonados, alquenos, ácidos).
Bom, sobre o LAB prometi explicar o nome: é o LINEAR ALQUILBENZENO, que veio substituir um outro ainda pior, o ABS (alquil benzeno sulfonato ramificado). Este, o ABS, era o tal NÃO BIODEGRADÁVEL e, a partir de Decreto Federal (79094/77) ficou proibido para uso no Brasil, o que perdurou até o início dos anos 1980. Somente após é que o Brasil passou a usar o LAB, o biodegradável. Entretanto, a par de ser degradado por bactérias do ambiente, nunca ficou bem claro os subprodutos dessa degradação, ou se derivados tóxicos ou cancerígenos como o próprio benzeno presente na molécula, podem vir a surgir nessa degradação. E o pior, os estudos de toxicidade em longo prazo para o LAB são muito escassos e insuficientes: aqueles estudos onde animais são submetidos à ingestão de percentuais do produto na alimentação durante toda a sua vida, ou sua meia-vida. Isto devia incluir roedores, não roedores e primatas. Nada disso foi feito com o LAB e nós ingerimos quantidades ainda não definidas do produto!?
Vai depender da maneira como você LAVA os copos. E depois como ENXÁGUA os copos, os PRATOS, TALHERES, PANELAS . . . Sim, os resíduos de LAB num copo mal enxaguado podem superar tranquilamente os 0,1ppm considerados seguros.
Aí faço uma pergunta: você enxágua seus próprios copos? Em caso contrário, você sabe como são enxaguados e lavados os objetos que você usa para beber e se alimenta? Você tinha noção sobre o risco que corre diariamente?
Provavelmente não, porque tudo que não causa danos imediatos à saúde vem sendo negligenciado há anos pelo progresso e pela tecnologia. Veja como exemplo a polêmica dos celulares, que mereceu este ano um comunicado da OMS e ONU, onde consideraram aqueles especialistas não haver provas de que o uso do produto cause ou induza ao câncer. Só que ao final das considerações, incluíram uma recomendação: não é aconselhável seu uso por crianças! Caramba, que finalização mais tétrica!
Mas voltando à ingestão de resíduos de detergentes (LAB), é claro que isso não é nada tranquilizante. A troca da molécula não biodegradável pode ter nos oferecido um produto menos crítico para o ambiente, mas potencialmente mais perigoso se houver liberação de hidrocarbonetos tóxicos em sua biodegradação. O que podemos fazer? USAR SABÃO. Estes são obtidos pela conjugação de óleos naturais (coco, soja, milho) com hidróxido de sódio, levando a moléculas totalmente biodegradáveis e - o melhor - sem BENZENO em sua estrutura. Use sabão para lavar louças, panelas e até os alimentos. Use também na lavagem de roupas, pois existem sabões para uso em máquina de lavar também. Deixe que a indústria do detergente ataque dizendo que 1 tonelada de sabão consome mais energia para a produção... O que está em jogo é o FUTURO de sua SAÚDE.
Mudando o foco, é bom falarmos um pouco das crianças e do que elas gostam de beber ou comer. Aqui também os ESTRANHOS (tecnicamente chamados 'XENOBIÓTICOS') deitam e rolam. Nos refrigerantes, começamos pelos CORANTES artificiais que predominam! É bom lembrar que corantes LARANJAS ou VIOLÁCEOS podem conter grupos químicos cancerígenos (DIAZO N=N) com nitrogênio duplo. Seria bom evitar... Mas olha que são esses que as crianças preferem. Nos produtos tipo guaraná, convém ter cuidado com AMARELO de TARTRAZINA que pode causar alergias. Os menos perigosos são os incolores, tipo soda limonada e similares; mesmo assim a presença de ácido fosfórico pode levar a um excesso de fósforo na dieta e prejudicar a fixação do cálcio nos ossos. O ideal mesmo é beber sucos naturais de frutas ...  Mas ainda temos que considerar a presença de AGROTÓXICOS...
Bom esse é um capítulo importante no estudo dos ESTRANHOS ou XENOBIÓTICOS porque, em nosso país, o consumo deles é altíssimo. Estamos entre os 6 maiores consumidores de AGROTÓXICOS no mundo. O grande problema, como sempre falaram pesquisadores no Brasil (José Lutzenberger, Afonso Infurna Jr, Waldemar Ferrreira de Almeida, Ciro Pregnolatto), é a FALTA DE CONTROLE sobre o uso desses produtos na agricultura. Aliás, sempre que no Brasil se realizou programas, mesmo que pequenos, para análise dos resíduos dos agrotóxicos em cereais, frutas e legumes, eles estavam acima do permitido. E o pior é que os tais limites de segurança são altamente passíveis de questionamento, especialmente considerando que aqui no Brasil pouco se respeita o INTERVALO DE SEGURANÇA entre a última aplicação e colheita do alimento!!!
Precisamos ressaltar que muitos destes agrotóxicos possuem atividade cancerígena ou mutagênica em animais testados. Por isso há hoje uma forte tendência à busca dos chamados alimentos 'orgânicos', cultivados sem uso de agrotóxicos. Entretanto, é preciso checar as suas verdadeiras origens, para não sermos ludibriados novamente (We won't get fooled again - The Who). Uma das características dos vegetais 'orgânicos' é seu tamanho não muito avantajado e a presença de algumas imperfeições externas, alguns 'olhos pretos', que mostram a presença de fungos não patogênicos dos vegetais que não teriam se desenvolvido nos alimentos muito tratados com agrotóxicos, incluindo fungicidas vegetais.
O assunto dos agrotóxicos é tão grave que o governo deveria implementar um programa ROTINEIRO de análise de resíduos a partir dos alimentos que chegam às CEASAS e outros centros de distribuição. Só assim teríamos noção do que estamos ingerindo e poderíamos forçar [pelo único poder do consumidor: não consumir] a melhoria das condições desses vegetais. Aliás, como já aconteceu nos EUA quando os morangos foram apontados entre as frutas mais contaminadas com agrotóxicos. Após forte boicote da população durante meses, os produtores se reuniram e trabalharam o processo de cultivo dessa fruta, apresentando 2 anos depois produtos isentos de contaminação e examinados pelo órgão governamental de lá, a EPA (Environmental Protection Agency). Quando participei do projeto 'Otimização Ergonômica da Lavoura de Cana de Açúcar' em Campos dos Goytacazes (1980) - Armando (COPPE) e Wolney onde andam vocês? - verifiquei a mais absurda contaminação por MERCÚRIO dos agrotóxicos alquilmercuriais usados como fungicidas. Além de tantas pessoas inutilizadas ainda jovens, os aplicadores, a contaminação de açúcar foi constatada. Registre-se que desse maravilhoso trabalho em equipe (COPPE, ISOP/FGV e Ministério da Saúde) finalmente obtivemos a proibição dos mercuriais no Brasil.  Anvisa ou Inmetro, enfim, algum órgão tem que patrocinar essa causa com urgência, divulgando periodicamente os resultados na mídia. É isso aí, sem informação não há solução!!!
Bom, o tema dos ESTRANHOS em NOSSO NINHO é muito amplo mesmo, mas é indispensável ainda que resumidamente, abordar outro contaminante muito sério de nosso organismo, o ALUMÍNIO, alvo de tantos estudos do nosso eminente Professor HELION PÓVOA (o filho). Não há discussão sobre a TOXICIDADE do ALUMÍNIO para o ser humano e para todos os animais já estudados. Este metal invade o osso com a maior facilidade, ali instalando-se e expulsando o cálcio. Também se aglomera no cérebro, especialmente no tecido peri-neuronal, a GLIA, causando degeneração pelo aumento das espécies ativas do oxigênio, também conhecidos como RADICAIS LIVRES. Em boa parte de sua vida de pesquisador, o Prof. Helion nos alertou para o perigo desse contaminante e provou em seus estudos que, infelizmente para nós, ele pode ser absorvido no intestino, em condições alteradas: no aumento da permeabilidade intestinal. Em milhares de exames realizados em pacientes e voluntários para a pesquisa de alumínio no corpo a proporção de resultados de acúmulo do metal é a maior entre outros fortes candidatos, como o Chumbo, Mercúrio e Cádmio. Uma das explicações mais plausíveis para essa constatação é a maciça utilização de PANELAS de ALUMÍNIO no preparo dos alimentos. É comum se verificar o fundo das panelas muito danificado e com várias 'crateras', que demonstram a migração do metal da panela para o alimento. Estudos demonstraram que a contaminação do alumínio no cérebro contribui para agravar condições como demência e mal de Alzheimer.
A lista de ESTRANHOS é extensa ainda: conservantes, poluentes atmosféricos dos automóveis (além de gasolina, o freio), hidrocarbonetos polihalogenados, poliaromáticos e por aí vai. Quem paga essa conta no organismo? O FÍGADO. Este incansável laboratório de biotransformação que não para, que tenta o tempo todo desarmar as 'bombas' moleculares que ingerimos ou respiramos. Às vezes, coitado, na tentativa de desarmar ele ativa bombas ainda mais poderosas, como é o caso da AFLATOXINA presente no amendoim com muita freqüência. Quando ingerimos amendoim com essa toxina o fígado imediatamente a transforma num subproduto ainda mais carcinogênico, um epóxido triangular intermediário. O número de estudos sobre a incidência de CIRROSE NÃO ALCOÓLICA multiplicou-se e a prova está na MEDLINE! São centenas de artigos médicos sobre essa doença que é fruto inconteste do aumento dos XENOBIÓTICOS em nosso organismo.
PROTEGER O FÍGADO é a ORDEM DO DIA!!!! Ingerir ácido folínico, silimarina, ácido lipóico, os aminoácidos BCAA (os principais defensores do fígado) junto com ARGININA + ORNITINA + CITRULINA, tudo isso ajuda a proteger nosso incansável órgão metabolizador. Mas se não reduzir álcool (jamais beber diariamente, mesmo que uma taça de vinho; nunca ingerir mais do que 75ml de álcool por evento ~ 5 chopps), enlatados, acrilamida da batata frita e abolir cigarro, pouco vai adiantar...
Bom assunto não falta para esse tema, falta mesmo é tempo (meu e de vocês, não é?) Se quiserem saber mais agora estou também no Facebook (Celio Mendes Almeida). É só perguntar que eu respondo, ok?
Abcs a todos.
Celio Mendes.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

EM BUSCA DA HOMEOSTASE BIOENERGÉTICA: OBESIDADE ou LONGEVIDADE?

A humanidade está diante do grave problema do excesso de peso e obesidade. Dados estatísticos no Brasil já relatam 8,8% de obesos e 41% acima do peso, para os homens. Para as mulheres 12,7% e 39,2%, respectivamente.
Em outras partes do mundo o perfil também é assustador, mostrando que foi rompido o equilíbrio entre a aquisição de calorias e o gasto das mesmas. A conta final é o sobrepeso, inevitavelmente.
Uma boa parte da conta vai pelo moderno sedentarismo, ainda que proliferem academias pelos bairros. Outra parte vai mesmo pela inadaptação genética para enfrentar tantas mudanças em tão pouco tempo. Em dois séculos - que não é nada para modificações no genótipo - saímos da escuridão com Edison, passamos a contar com locomoção facilitada através de Fulton, a nos comunicar via Graham Bell e mais recentemente por uma dezena de cientistas controlados por Cooper, através do celular. E por aí vai, ressaltando ainda o CONTROLE REMOTO. Que viciante engenhoca que nos deixa cada vez mais gordos!
Agora, falando sério.
O sistema metabólico dos mamíferos, e também do Homo sapiens, foi adaptado ao longo de milhões de anos para acumular toda a sobra energética. Estamos bem equipados para transformar o resíduo ACETIL CoA em lipídios e estocá-los num tecido de reserva, o tecido adiposo. Carboidratos, gorduras e proteínas dão origem a grandes quantidades de ACETIL CoA. Se o gasto energético for pequeno o resultado é mais e mais acúmulo --> obesidade.
A gordura mata e já sabemos disso, são tantos os exemplos! Recentemente o cantor e compositor Wando, querido de tantos e intérprete de uma das lindas canções brasileiras "Moça, nos deixou por complicações originárias do excesso de peso. Problemas cardiovasculares e diabetes são os principais males decorrentes da obesidade.
Muitos cientistas estão pesquisando como ocorre a "ordem" para o adipócito liberar gordura (triglicerídeos) e tranformá-la em combustível (ATP) para o corpo. Inicialmente, os triglicerídeos do tecido adiposo precisam sofrer ação de enzimas, as lípases dos adipócitos, capazes de romper a ligação entre o glicerol e os ácidos graxos. Somente ácidos graxos livres são passíveis de sofrer a beta-oxidação para fornecer energia - o que popularmente se chama "queimar gordura".
Nas pesquisas foram identificadas enzimas chamadas SIRTUÍNAS - já falei disso por aqui neste blog.
Só que agora os indicadores da importância dessas enzimas para conter a obesidade tornou-se evidente: cientistas estão proporndo que essas enzimas sejam os principais reguladores do volume de gordura nos adipócitos! Ou seja: as SIRTUÍNAS exerceriam o papel de "porteiro" nos adipócitos com a chave para abrir as comportas de gordura acumulada e encaminhar para a "queima" (beta-oxidação).
São tantos os fatores envolvidos na regulação bioenergética que dá até dor de cabeça para gravá-los: leptina, adiponectina, visfatina, klotho, FGF-21, AMPKinase, PPARs, UCPs, DsbA-L e vai por aí...
Esses os fatores - e outros mais! - intervém na liberação da gordura dos adipócitos, bem assim na diferenciação dessa células (diferenciação em adipócitos é a maneira como o organismo se "vira" para distribuir a gordura que se acumula de forma equitativa no tecido gorduroso). Já sabemos que quanto mais "cheio" o adipócito maior o risco de ocorrer a liberação de citoquinas (substâncias pró-inflamatórias) que estimulam ainda mais a retenção gordurosa e provocam inflamação neste tecido.
Voltando as SIRTUÍNAS, elas estão vinculadas ao estado "de direito" que permite a liberação das gorduras acumuladas para uso bioenergético: o jejum.
Quando ficamos em jejum, mesmo que por 12 horas, simulamos um estado muito comum nos primórdios do H. sapiens, a fase coletora. Se tinha comida pegava, se não tinha, esperava. Caçar era uma atividade complicada com a inadaptação de nosso corpo para perseguições de presas em alta velocidade. Também a compleição física nem a dentição ajudavam neste aspecto - consumir a gordura acumulada foi a solução mágica da adaptação biológica. Por esta estratégia, sobrevivemos e criamos até blogs! Assim, o sistema bioquímico-hormonal protegeu o organismo através de mecanismos complexos e muitos -mas MUITOS - fatores interligados que regulam o uso da gordura estocada.
As SIRTUÍNAS, entretanto, são as primeiras a serem detectadas aumentadas no JEJUM, um estado legítimo que exige liberação dos estoques lipídicos. São dezenas de estudos concluídos que validam essa hipótese médica. Já estou convencido de que são elas o principal fator regulador - indústrias farmacêuticas já estão desenvolvendo  "Mimetizadores das Sirtuínas", produtos que "enganam" o organismo e simulam estado que exige liberação de gordura para consumo (jejum). Produtos com siglas (SRT501, SRT1720) estão a caminho de serem lançados no mercado futuro e prometem modificar drasticamente nosso metabolismo, reduzindo o acúmulo de gordura. Seriam bem mais potentes do que os compostos naturais que exibem essa ação (vejam abaixo).
Em se confirmando isso, daríamos um grande passo para "remediar" a pandemia de obesidade, já que poderíamos mudar o foco do organismo, de carboidratos para lipídios.
Nos animais os agonistas naturais (fitocompostos) das SIRTUÍNAS foram bem nos testes, reduzindo peso violentamente, mesmo sem restrição alimentar significativa. Dentre os mais ativos estão  KAEMPFEROL  e   RESVERATROL . Este último já bem conhecido das uvas e vinho (embora esteja presente em várias frutas vermelhas), já o KAEMPFEROL é uma novidade , e o melhor: muito mais potente do que o resveratrol.
A natureza está provida dessas e outras biomoléculas fantásticas, o que foi objeto de pesquisa que estou publicando em Jornal Científico aqui do Brasil - quase todas contidas em temperos ou alimentos esquecidos ou sub-utilizados.
Dentre as principais fontes de kaempferol está a  ALCAPARRA  - mas existem outras e vocês ficarão surpresos com esses maravilhosos vegetais que ativam poderosamente as SIRTUÍNAS e contribuem para a utilização da gordura acumulada (vide link para o artigo e as tabelas de alimentos contendo kaempferol e resveratrol). Mas, melhor ainda são as descobertas de que essas enzimas estão DIRETAMENTE relacionadas com o aumento da LONGEVIDADE.
Animais de laboratório submetidos à restrição calórica (diminuição na oferta de alimento), além de expressarem claramente a ação das SIRTUÍNAS sobre a lipólise, tiveram um fantástico aumento na sobrevida. Em alguns grupos até 25%! E com boa saúde, que é, no final o que interessa.
Em humanos, os relatos do cientista japonês Miyagi sobre populações longevas de Okinawa são impressionantes, mostrando que também nos seres humanos estes resultados são realizáveis.
Vocês podem ter acesso o link (vide abaixo). No modelo padrão de publicação deu 59 páginas. Mas vale a pena ler, pois foram 6 meses de estudos que desenvolvi para mapear esses complexos mecanismos que regulam a homeostase bioenergética.

Até breve!

ATENÇÃO: devido aos inúmeros pedidos, aí vai o link para o artigo na íntegra, em primeira mão: http://clippmark.com/phd1/HOMEOSTASE_BIOENERGETICA_NOVO.pdf 

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

E VAMOS AOS COGUMELOS...

No século XIX já se relatava os efeitos benéficos dos cogumelos sobre a saúde. Na época, sob a ausência de pesquisas científicas consistentes, os efeitos eram descritos como "tonificantes", expressão mais ampla de "causador de bem estar".
A partir de 1964 começaram a ser publicados os artigos científicos relativos às pesquisas com cogumelos comestíveis - neste artigo pioneiro a espécie estudada foi Grifola umbelatta, à qual foi atribuída marcante propriedade diurética. Este cogumelo é um parente muito próximo da Grifola frondosa, o popular MAITAKE, porém a variedade G. umbelatta é bem mais difícil de ser encontrada livremente.
Efetivamente 20 anos após, estudos com MAITAKE começaram a sedimentar conclusões surpreendentes sobre a ação deste cogumelo no sistema imunológico e no bloqueio de culturas de células cancerosas. O volume de pesquisas com o gênereo Grifola está atingindo este ano 200 publicações, o que não é pouco, considerando que, na grande maioria, são pesquisas sem financiamento privado. Devido a sua cultura e hábitos alimentares, os países asiáticos são os que mais se dedicaram às pesquisas com cogumelos, especialmente Japão, China e Coréias.

Mas vamos ao que os cientistas já descobriram sobre a Grifola frondosa:
  • Em 1984 Suzuki e colegas (1) tiveram o mérito de serem pioneiros no isolamento de fração polissacarídica do MAITAKE, mostrando a ação anticancerígena evidente nas culturas de células de sarcoma - um tipo de câncer que se aloja em músculos e ossos. O artigo causou grande impacto no meio científico e estimulou dezenas de outras pesquisas sobre o mesmo assunto.
  • No ano seguinte a mesma equipe confirmou seus achados, agora in vivo (animais de laboratório), e formalizou a hipótese de que a fração polissacarídica do MAITAKE exercia ação estimuladora sobre a resposta imunológica contra o câncer.
  • Daí para frente outras equipes entraram na corrida para descoberta e consolidação das propriedades medicinais da Grifola frondosa, com diversos pesquisadores renomados no Japão: Ohno, Iino, Oikawa, Sato, Miyazaki, Yadomae, Takeyama, Adachi, Nanba, Kuroda, Hamaguchi e muitos outros.
  • Logo em 1987 Nanba, Hamaguchi e Kuroda publicavam artigo elucidando a estrutura química do principal componente da fração polissacarídea ativa: a 1,3 beta glucana. Isto após as descobertas de Ohno e colegas (2) .
  • Outros assuntos foram tema de pesquisa com a G. frondosa (por exemplo, a ação antihipertensiva), mas a predominância nestes últimos 30 anos foram as pesquisas anticâncer e sobre o efeito imunoestimulante das glucanas presentes em sua composição. Hoje, a meu ver, não restam mais dúvidas sobre os benefícios que este cogumelo pode trazer para a saúde, especialmente aumentando a nossa capacitação para a resposta imunológica.
  • Segundo diversos autores, isso ocorre devido à capacidade dos polissacarídeos (glucanas) de simular ou fingirem ser ANTÍGENOS (substâncias que exigem nossa resposta de defesa). Porém, diferentemente dos verdadeiros antígenos, as GLUCANAS não exercem nenhum efeito nocivo para nós. Para exemplificar um antígeno poderoso podemos citar a peçonha de cobras.
  • Assim, as GLUCANAS seriam um tipo de LUTADOR DE TREINOS, aquele que o competidor contrata para lutar em preparação para as verdadeiras competições. Ele luta com o competidor, mas sem o objetivo de macucá-lo ou incapacitá-lo para as lutas futuras. Dessa forma, os polissacarídeos ativam sistemas de defesa, especialmente a chamada imunidade humoral (anticorpos).
  • Tudo isso já foi bastante estudado em centenas de pesquisas que se ratificam mutuamente. O que gostaria de chamar atenção neste momento é a recém descoberta que foi realizada sobre um NOVO COMPONENTE dos cogumelos comestíveis, denominado ERGOTHIONEINE (EGTH).

  • Um artigo publicado por Keith Martin no Journal of Medical Food (3) aponta aspectos muitíssimo importantes com esse poderoso antioxidante ESTÁVEL e sulfurado (sempre o enxôfre). Os testes contra proteínas aterogênicas que provocam as doenças obstrutivas (infarto, AVC e Cia Ltda) mostraram uma surpreendente ação inibitória do EGTH, ou seja, o composto dos cogumelos inibe a expressão das proteínas que causam as doenças cardiovasculares!
  • Alguns gráficos publicados por Martin mostram uma surpreendente ação nesse sentido, superiores (incrível!) a de outros antioxidantes como vitamina E, bioflavonóides e carotenóides!

  • Para completar e tornar mais importante ainda essa descoberta, outro grupo de cientistas liderados por Yamashita (4), quase simultanemente, identificou um análogo da EGTH contendo o mineral SELÊNIO, ao qual chamaram SELENONEINE. Este seleno-composto foi identificado em peixes como o atum e está sendo apontado pelos autores da descoberta com o mais potente composto antioxidante do selênio, devido à singular estrutura cetônica e as características de bi-solubilidade, aspecto que o L-Glutathione não exibe marcantemente.
  • É lógico que essa descoberta reforça ainda mais as recomendações médicas para aumento da ingestão de pescado na dieta, mas que tal darmos asas à criatividade? E pedirmos ao gourmet um prato de peixe aos 4 cogumelos (G. umbelatta, G. frondosa, P. ostreatus e L. edodes), na ordem: grifola, maitake, shimeji e shitake.
  • Além dos alimentos, estão disponíveis extratos farmacêuticos de Grifola frondosa padronizados para uso em cápsulas. Doses de 0,5 a 1,0g duas vezes ao dia são adequadas.
  • E que venham os inimigos, exógenos ou endógenos...
  • Nota: sobre o pescado, eu só gostaria de saber porque tantas pesquisas mostram cada vez mais a presença de mercúrio em sua carne. Do jeito que está aparecendo, não pode ser só despejo industrial e contaminação. Não seria importante fazer uma prospecção de HgCl, HgCl2 e HgS em diferentes regiões e oceanos? Quem sabe não descobrimos áreas onde mercúrio pode ser jazida mesmo... Sei não, mas isso é papo para outro artigo, né?
  • Se quiser vai dando uma olhada aí (Hg) , mas já posso adiantar que não sou eu somente que anda pensando nisto não... (5) . Se quiser veja este também: (6).
Abraços aos amigos e ex-alunos!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Pesquisas com Fruta Chinesa Surpreendem

Lycium barbarum: os relevantes resultados das pesquisas médicas com esta fruta chinesa – mais de 120 publicações em dez anos – especialmente nos dois últimos anos, chamaram a atenção dos cientistas em vários países. Conhecida em seu país de origem como Gou Qi Zi  e internacionalmente como Goji Berry, suas propriedades medicinais relevantes estão sendo reconhecidas e exploradas, especialmente nas áreas:


CÂNCER: referências 2,12, 13, 14, 15, 16

 ESTEATOSE HEPÁTICA ALCOÓLICA:  referências 25, 26,27

DOENÇAS NEUROLÓGICAS: referências 1, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11,12

Composição: complexos polissacarídeo-protéicos, alto teor de vitamina C e seu complexo ativo (AA–2bG), além de aminoácidos essenciais.


Pesquisas:
 NEUROLOGIA: um dos estudos mais recentes (link 1) demonstrou as propriedades antinflamatórias do Lycium barbarum na redução de neuromas pós traumáticos, em animais – nesta pesquisa a redução dos neuroblastomas nos animais tratados foi de 50%.
Outras pesquisas importantes realizadas na área de neurologia mostraram que os ativos do Lycium barbarum participam da neurogênese e são benéficos em processos neurodegenerativos, além de protegerem contra neurotoxicidade de produtos como homocisteína e peptídeo b-amilóide (3-12); (link 3)


 ESTEATOSE: provavelmente a pesquisa que tem mais se destacado foi publicada agora em março (25), avaliando a proteção hepática promovida pelo Lycium barbarum em animais com intoxicação induzida por álcool. Na conclusão, os pesquisadores relatam que o Lycium protegeu contra a peroxidação lipídica e esteatose hepática. Outros estudos corroboram tais achados (26-27).


 CÂNCER: Com relação à atividade anti-câncer estão publicados numerosos estudos demonstrando eficiência anticancerígena de Lycium barbarum. Entre os mais significativos estão os estudos de Zhang (13) e Luo (14) que evidenciaram componentes do Lycium fortemente inibitórios da proliferação neoplásica. Zhang, trabalhando com células em cultura (câncer cervical), descobriu um ativo derivado da vitamina C no extrato da planta, o D-Glucopiranosil; L-Ácido Ascórbico (AA–2bG). De forma surpreendente, os pesquisadores descobriram que AA–2bG não só é citotóxico contra as células cancerígenas (HELA), como também desencadeia a apoptose nestas células. Diversos estudos consolidam esta descoberta (2, 12-16).


 IMUNOLOGIA: este é, sem dúvida, o campo mais fértil de pesquisas com o Lycium barbarum, uma vez que sua composição rica em polissacarídeos exerce forte estimulação sobre o sistema imunológico. Zhang e Zhou publicaram um estudo (link 2) bem recente cuja importância está sendo imediatamente reconhecida. Neste estudo os cientistas testaram a atividade de macrófagos, células “T” e células “B”, concluindo que o maior efeito imunoestimulante do complexo polissacarídeo-protéico foi sobre os macrófagos em cultura. Mais estudos confirmam as ações imunoestimulante e imunomoduladora (28-30).


 ESTUDOS COM HUMANOS: Amagase & cols publicaram 3 estudos clínicos com Lycium barbarum nos quais observaram efeitos positivos da planta sobre a performance neurológica-cogninitiva e as funções gastrintestinais (31), sobre o sistema imune (32) e no controle dos radicais livres (33).
Enquanto escrevia este artigo, na atualização da PubMed mais um artigo ratificando a importância da descoberta do AA-2bG, um derivado da vitamina C que já começa a despertar o interessa para a confecção de novos fármacos anticancerígenos e neuroregeneradores. Vale a pena conferir no link (link AA-2bG) para ficar antenado!
 
Estão disponíveis nas farmácias magistrais extratos secos dos frutos de Lycium barbarum para uso como suplemento nutracêutico, especialmente objetivando melhoria de condições como esteatose hepática e nas síndromes neuropáticas. As doses variam entre 250 e 500mg, duas vezes ao dia, em cápsulas.

Abraços aos amigos e ex-alunos!
 
Referências bibliográficas:
1. Effects of lycium barbarum polysaccharide on formation of traumatic neuroma and pain after transection of sciatic nerve in rats. Fan H & cols – Zhongguo Xiu Fu Chong Jian Wai Ke Za Zhi, 2010 Nov, 24(11):1298-1301.
2. Macrophages, rather than T and B cells are principal immunostimulatory target cells of Lycium barbarum L. polysaccharide LBPF4-OL. Zhang XR & cols – J Ethnopharmacol, 2011 Apr 28.
3. Effect of Lycium barbarum polysaccharides on neurogenesis and learning & memory in manganese poisoning mice. Wen J, Yang BN, Ren D – Zhongguo Zhong Xi Yi Jie He Za Zhi, 2010 Mar, 30(3):295-298.
4. Lycium barbarum polysaccharides reduce neuronal damage, blood-retinal barrier disruption and oxidative stress in retinal ischemia/reperfusion injury. Li SY & cols – PLoS One, 2011 Jan, 6(1):e16380.
5. Up-regulation of crystallins is involved in the neuroprotective effect of wolfberry on survival of retinal ganglion cells in rat ocular hypertension model. Chiu K & cols – J Cell Biochem, 2010 May, 110(2):311-320.
6. Neuroprotective Effects of Polysaccharides from Wolfberry, the Fruits of Lycium barbarum, Against Homocysteine-induced Toxicity in Rat Cortical Neurons. Ho YS & cols – J Alzheimers Dis, 2009 Nov. 
7. Polysaccharide-protein complex from Lycium barbarum L. is a novel stimulus of dendritic cell immunogenicity. Chen Z, Lu J, Srinivasan N, Tan BK, Chan SH – J Immunol, 2009 Mar, 182(6):3503-3509.
8. Polysaccharides from wolfberry antagonizes glutamate excitotoxicity in rat cortical neurons. Ho YS, Yu MS, Yik SY, So KF, Yuen WH, Chang RC – Cell Mol Neurobiol, 2009 Dec, 29(8):1233-1244.
9. Modulation of microglia by Wolfberry on the survival of retinal ganglion cells in a rat ocular hypertension model. Chiu K & cols – J Ocul Biol Dis Infor, 2009 Jun, 2(2):47-56.
10. Characterization of the effects of anti-aging medicine Fructus lycii on beta-amyloid peptide neurotoxicity. Yu MS, Lai CS, Ho YS, Zee SY, So KF, Yuen WH, Chang RC – Int J Mol Med, 2007 Aug, 20(2):261-268.
11. Characterizing the neuroprotective effects of alkaline extract of Lycium barbarum on beta-amyloid peptide neurotoxicity. Ho YS, Yu MS, Lai CS, So KF, Yuen WH, Chang RC – Brain Res, 2007 Jul, 1158:123-134.
12. Stimulation by Lycium bararum polysaccharides of the maturation of dendritic cells in murine bone marrow. Zhu J, Zhao LH, Chen Z – Zhejiang Da Xue Xue Bao Yi Xue Ban, 2006 Nov, 35(6):648-652.
13. Selective suppression of cervical cancer Hela cells by 2-O-β-D: glucopyranosyl-L -ascorbic acid isolated from the fruit of Lycium barbarum L. Zhang Z & cols – Cell Biol Toxicol, 2011 Apr, 27(2):107-121.
14. Lycium barbarum polysaccharides induce apoptosis in human prostate cancer cells and inhibits prostate cancer growth in a xenograft mouse model of human prostate cancer. Luo Q & cols – J Med Food, 2009 Aug,12(4):695-703.
15. Growth inhibition and cell-cycle arrest of human gastric cancer cells by Lycium barbarum polysaccharide. Miao Y, Xiao B, Jiang Z, Guo Y, Mao F, Zhao J, Huang X, Guo J – Med Oncol, 2010 Sep, 27(3):785-790.
16. Lycium barbarum inhibits growth of estrogen receptor positive human breast cancer cells by favorably altering estradiol metabolism. Li G, Sepkovic DW, Bradlow HL, Telang NT, Wong GY – Nutr Cancer, 2009, 61(3):408-414.
17. Lycium (Lycium barbarum). Cassileth B – Oncology (Williston Park), 2010 Dec, 24(14):1353.
18. Goji berry effects on macular characteristics and plasma antioxidant levels. Bucheli P & cols – Optom Vis Sci, 2011 Feb, 88(2):257-262.
19. Lycium barbarum Polysaccharides Reduce Exercise-Induced Oxidative Stress. Shan X, Zhou J, Ma T, Chai Q – Int J Mol Sci. 2011 Feb, 12(2):1081-1088.
20. Antioxidative activity of polysaccharide fractions isolated from Lycium barbarum Linnaeus. Lin CL, Wang CC, Chang SC, Inbaraj BS, Chen BH – Int J Biol Macromol, 2009 Aug, 45(2):146-151.
21. Alleviation of the acute doxorubicin-induced cardiotoxicity by Lycium barbarum polysaccharides through the suppression of oxidative stress. Xin YF, Wan LL, Peng JL, Guo C – Food Chem Toxicol, 2011 Jan, 49(1):259-64.
22. Chemical characterization of Lycium barbarum polysaccharides and their reducing myocardial injury in ischemia/reperfusion of rat heart. Lu SP, Zhao PT – Int J Biol Macromol, 2010 Dec, 47(5):681-684.
23. Lycium barbarum (goji) juice improves in vivo antioxidant biomarkers in serum of healthy adults. Amagase H, Sun B, Borek C – Nutr Res 2009 Jan, 29(1):19-25.
24. Mice drinking goji berry juice (Lycium barbarum) are protected from UV radiation-induced skin damage via antioxidant pathways. Reeve VE & cols – Photochem Photobiol Sci, 2010 Apr, 9(4):601-617.
25. The effect of Lycium barbarum polysaccharide on alcohol-induced oxidative stress in rats. Cheng D, Kong H – Molecules, 2011 Mar, 16(3):2542-2450.
26. Chemical characterization of Lycium barbarum polysaccharides and its inhibition against liver oxidative injury of high-fat mice. Wu HT, He XJ, Hong YK, Ma T, Xu YP, Li HH – Int J Biol Macromol, 2010 Jun, 46(5):540-543.
27. A study on the preventive effect of Lycium barbarum polysaccharide on the development of alcoholic fatty liver in rats and its possible mechanisms. Gu S & cols – Zhonghua Gan Zang Bing Za Zhi, 2007 Mar, 15(3):204-208.
28. Immunomodulatory effects of a standardized Lycium barbarum fruit juice in Chinese older healthy human subjects. Amagase H, Sun B, Nance DM – J Med Food, 2009 Oct, 12(5):1159-1165.
29. Activation of macrophages by polysaccharide-protein complex from Lycium barbarum L. Chen Z, Soo MY, Srinivasan N, Tan BK, Chan SH – Phytother Res, 2009 Aug, 23(8):1116-1122.
30. Activation of T lymphocytes by polysaccharide-protein complex from Lycium barbarum L. Chen Z, Kwong Huat Tan B, Chan SH – Int Immunopharmacol, 2008 Dec, 8(12):1663-1671.
31. A randomized, double-blind, placebo-controlled, clinical study of the general effects of a standardized Lycium barbarum (Goji) Juice, GoChi. Amagase H, Nance DM – J Altern Complement Med, 2008 May.
32. Immunomodulatory effects of a standardized Lycium barbarum fruit juice in Chinese older healthy human subjects. Amagase H, Sun B, Nance DM – J Med Food, 2009 Oct, 12(5):1159-1165.
33. Lycium barbarum (goji) juice improves in vivo antioxidant biomarkers in serum of healthy adults. Amagase H, Sun B, Borek C – Nutr Res, 2009 Jan, 29(1):19-25.

terça-feira, 19 de abril de 2011

cheque MATE

Após tanta projeção para os estudos científicos com a Camellia sinensis na forma não torrada ("Chá Verde"), de fato um poderoso antioxidante e antinflamatório, finalmente os olhos da ciência se voltam para a contra-partida de nossa muy querida America del Sur: a Ilex paraguariensis, o MATE.
A quantidade de estudos na área médica que foram publicados nos últimos 11 anos (cerca de 130) estimula o aprofundamento neste fitoterápico. Algumas dessas pesquisas que vamos destacar mostram aspectos muito interessantes, como aquela de 1999 realizada na Suíça e que fez uma triagem em diversas plantas que poderiam ter efeito termogênico (ativar a eliminação de gorduras) - neste estudo apenas o mate foi considerado como eficiente (1).
Dez anos depois, a pesquisa de cientistas brasileiros da Universidade Federal de Santa Catarina  (2),  registrou os efeitos benéficos do consumo do mate sobre as dislipidemias (desregulação dos lipídios sanguíneos, entre eles colesterol, triglicerídeos, LDL). Trabalhando com modelo clínico, ou seja, utilizando voluntários humanos com quadros dislipêmicos, os pesquisadores relataram: "Foi concluído que o consumo de infusão com erva mate melhorou os parâmetros lipídicos em voluntários normolipídicos e dislipídicos e promoveu redução adicional do LDL-C  nos voluntários que estavam em uso de estatinas, o que pode reduzir o risco de doenças cardiovasculares".
Outros estudos anteriores já sinalizavam que a erva mate possuia efeitos salutares sobre o organismo, em especial no que tange às doenças cardiovasculares. Em 2006, da mesma Universidade de Santa Catarina,  Mosimann, Wilhelm Fº e da Silva já haviam publicado um artigo que mostrava ser a Ilex paraguariensis capaz de impedir a progressão de doença aterosclerótica em coelhos (3) .
Mudando o foco, pesquisadores da Universidade São Francisco, Bragança Paulista (4) , avaliaram o potencial da erva mate na resistência à insulina, trabalhando com modelo animal (camundongos). Importantes registros foram feitos nesta pesquisa:
  1. A erva mate apresenta marcante ação antinflamatória (sobre NFkB, TNF-alfa e IL-6, todos marcadores inflamatórios).
  2. Os efeitos sobre esses marcadores inflamatórios se deram em nível dos genes reguladores.
  3. A erva mate restaurou a sensibilidade à insulina, mesmo em animais alimentados com dieta rica em gordura.
Outros estudos corroboram o poder antinflamatório da erva mate: (5)(6)(7) . Em sua composição, não só os antioxidantes polifenólicos exercem esta função, mas também as saponinas encontradas.

A quem possa interessar, um resumo de quase tudo o que já foi estudado com o mate foi publicado num artigo (8) que se intitula "Recent Advances on Ilex paraguariensis research: Minireview", por cientistas uruguaios - vale a pena conferir.

A erva não torrada apresenta, na infusão, maior integridade nos componentes antioxidantes. Uma ressalva, apenas, para o risco de se consumir a bebida (chimarrão) muito quente, pois já foi descrito que as altas temperaturas do líquido podem causar danos ao epitélio digestivo superior, inclusive câncer de esôfago.

Um extrato seco concentrado da Ilex paraguariensis para uso em cápsulas foi apresentado no Brasil sob o nome de "Pholia Negra", tendo seu método de preparo padronizado, segundo o fabricante. 

Formulação contendo 112mg de Ilex paraguariensis, associada a 95mg de Paullinia cupana (Guaraná) e 36mg de Turnera diffusa (Damiana) foi considerada efetiva para redução de peso através da diminuição de ingestão alimentar. O mecanismo apontado foi o retardamento do esvaziamento do conteúdo gástrico pós prandial. Confiram no artigo publicado  (9).

Saudações aos amigos e ex-alunos!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

O PAPEL do ZINCO no DESEMPENHO da INSULINA


A vinculação do elemento biológico zinco com a produção da insulina, bem como a sua ativação pela união de suas duas cadeias protéicas, é bem conhecida. Neste aspecto, a literatura médica é pródiga. Em 1937, Himsworth (1) publicava seu artigo pioneiro, relatando que a insulina na forma de protamina com zinco, apresentava melhor resultado (aumentando a curva de liberação plasmática) quando administrada subcutaneamente. Anos depois, Tarui (2) publicava seus estudos originais sobre o metabolismo do zinco e aspectos clínicos do diabetes.
Porém, foram Boquist e Lernmark (3) que, trabalhando com modelos animais, provaram que a deficiência nutricional de zinco contribuía para disfunção pancreática e diminuição na oferta de insulina.
Já na década de 1970, cientistas russos liderados por Toroptsev e Ehchenko (4), provaram a importância do conteúdo de zinco nas células das ilhotas de Langerhans (sítio de produção da insulina). Entretanto, no ano de 1983 foi publicada uma pesquisa (5) onde se verificou que diabéticos apresentavam excreção urinária de zinco aumentada, traçando, definitivamente, uma relação inquestionável entre o metabolismo desse mineral e o controle da glicemia. Anos depois tal descoberta foi confirmada (8), levando à suposição que pacientes diabéticos podem apresentar deficiência de zinco.
A partir de 1990 muitos estudos sobre a relação do zinco com o diabetes e atividade insulinérgica são publicados. Shisheva (6) e seus colaboradores mostraram um efeito do zinco ao qual chamaram “insulin-like”, ou seja, semelhante à ação da insulina. Antes, May e Contoreggi (7) já haviam proposto um mecanismo para o efeito “insulin-like” do zinco, mais tarde esclarecido que o elemento interfere no acoplamento das cadeias protéicas alfa e beta desse hormônio - a estrutura do cristal consiste de hexâmeros T3R3f com dois íons zinco por hexâmero (9).
Modernamente, os estudos avançaram e descobriram que defeitos nas proteínas especializadas no transporte do zinco podem ser a chave para explicar a hereditariedade no diabetes. No caso, para a ZnT8, já foram descobertos polimorfismos que incapacitam essa proteína para o transporte do elemento zinco através do organismo, no pâncreas. Uma pesquisa super importante, neste aspecto, foi publicada recentemente (10).
Consoante a todos esses dados fundamentais no estudo do diabetes, muitos autores têm preconizado a suplementação com zinco para os pacientes diabéticos (11-15), a qual foi agora novamente ratificada no estudo com voluntários humanos realizado por Gunasekara e sua equipe (16). Na pesquisa, uma formulação multivitamínica-mineral com zinco, mostrou oferecer significativa melhoria na glicemia e nas dislipidemias:
A formulação usada na pesquisa de Gunasekara e sua equipe:
Vitamina A – 5.000ui
Vitamina D3 – 400ui
Vitamina E – 151ui
Tiamina – 10mg
Riboflavina – 10mg
Piridoxina – 2mg
Cianocobalamina – 7,5mcg
Nicotinamida – 50mg
Pantotenato de cálcio – 10mg
Ácido Ascórbico – 75mg
Magnésio – 30mg
Cobre – 2mg
Zinco – 22mg
Selênio – 70mcg
Para 1 cápsula

Posologia: 1 cápsula ao dia


 Referências:
1.       Protamine Insulin and Zinc Protamine Insulin.  Himsworth HP – Br Med J. 1937, 13; 1(3975):541-6.
2.       Studies on zinc metabolism. III. Effect of the diabetic state on zinc metabolism: a clinical aspect. Tarui S – Endocr J. 1963 , 10:9-15.
3.       Effects on the endocrine pancreas in Chinese hamsters fed zinc deficient diets. Boquist L, Lernmark A – Acta Pathol Microbiol Scand. 1969; 76(2):215-28.
4.       The identity of zinc- and insulin-containing granules in the B cells of the islets of Langerhans. Toroptsev IV, Ehchenko VA – Biull Eksp Biol Med. 1970, 69(4):110-3.
5.       Prospective and retrospective studies of zinc concentrations in serum, blood clots, hair and urine in young patients with insulin-dependent diabetes mellitus. Hägglöf B, Hallmans G, Holmgren G, Ludvigsson J, Falkmer S – Acta Endocrinol (Copenh). 1983, 102(1):88-95.
6.       Insulinlike effects of zinc ion in vitro and in vivo. Preferential effects on desensitized adipocytes and induction of normoglycemia in streptozocin-induced rats. Shisheva A, Gefel D, Shechter Y – Diabetes. 1992, 41(8):982-8.
7.       The mechanism of the insulin-like effects of ionic zinc. May JM, Contoreggi CS – J Biol Chem. 1982 Apr 25; 257(8): 4362-8.
8.       Type II diabetes mellitus, congestive heart failure, and zinc metabolism. Golik A, Cohen N, Ramot Y, Maor J, Moses R, Weissgarten J, Leonov Y, Modai D – Biol Trace Elem Res. 1993, 39(2-3):171-5.
9.       X-ray crystallographic studies on hexameric insulins in the presence of helix-stabilizing agents, thiocyanate, methylparaben, and phenol. Whittingham JL, Chaudhuri S, Dodson EJ, Moody PC, Dodson GG – Biochemistry. 1995, 28;34(47):15553-63.
10.    Down-regulation of zinc transporter 8 in the pancreas of db/db mice is rescued by Exendin-4 administration. Liu BY, Jiang Y, Lu Z, Li S, Lu D, Chen B – Mol Med Report. 2011, 4(1):47-52.
11.    Effect of diet intervention and oral zinc supplementation on metabolic control in Berardinelli-Seip syndrome. Dantas de Medeiros Rocha E & cols – Ann Nutr Metab. 2010, 57(1):9-17.
12.    Zinc supplementation partially prevents renal pathological changes in diabetic rats. Tang Y, Yang Q, Lu J, Zhang X, Suen D, Tan Y, Jin L, Xiao J, Xie R, Rane M, Li X, Cai L – J Nutr Biochem. 2010, 21(3):237-46.
13.    The Influence of Zinc Supplementation on the Pancreas of Streptozotocin-Diabetic Rats. Bolkent S, Yanardag R, Bolkent S, Mutlu O – Dig Dis Sci. 2009 Jan 1.
14.    Serum zinc levels in diabetic patients and effect of zinc supplementation on glycemic control of type 2 diabetics. Al-Maroof RA, Al-Sharbatti SS – Saudi Med J. 2006, 27(3):344-50.
15.    Effect of a zinc-enriched diet on the clinical and metabolic parameters in type 2 diabetic patients. Sharafetdinov KhKh & cols – Vopr Pitan. 2004; 73(4):17-20.
16.    Effects of zinc and multimineral vitamin supplementation on glycemic and lipid control in adult diabetes. Gunasekara P, Hettiarachchi M, Liyanage C, Lekamwasam S – Diabetes Metab Syndr Obes. 2011, 4:53-60.